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Archive for the ‘Conferência “Astrologia e Consciência”’ Category

Lua Nova a 4º25’ de Escorpião

28 de Outubro de 2019

À medida que se aproxima a conjunção exacta entre Saturno e Plutão, aumenta o medo de muitos que isso seja o fim de alguma coisa muito preciosa. Essencialmente preocupamo-nos com os grandes ciclos, com os efeitos dos “pesos pesados” da simbologia astrológica e esquecemo-nos frequentemente da dádiva que estes pequenos ciclos, os de lunação por exemplo, nos oferecem. Para quem estiver interessado em fazer um trabalho contínuo, os trânsitos de Putão, e até mesmo Saturno, podem ser intensos, mas não surgem como uma surpresa. Peço desculpa pela expressão (mas é Plutão não sou eu) não temos de nos sentir violados por uma força qualquer estranha a nós mesmos se tivéssemos tomado a iniciativa de, em doses mais pequenas, assumirmos o poder que é nossa responsabilidade arrumarmos a nossa vida interna.

E digo isto agora, durante esta Lua Nova em Escorpião, porque enfim, basta olhar para o enquadramento planetário para perceber a oportunidade que esta lunação oferece.

Os regentes desta lunação são Marte e Plutão. Numa perspectiva exotérica, tendo em conta o princípio que representa através de Carneiro e Escorpião, Marte não está propriamente confortável no seu exilio e numa geometria pouco harmoniosa com Saturno e Plutão em Capricórnio, e com Neptuno em Peixes. Teremos de fazer um esforço acrescido para que o impulso não seja bloqueado pelo medo que nos mantém na indecisão, desfocados, e numa dificuldade em tomar uma iniciativa que ponha em causa uma falsa estabilidade.

Potencialmente, este posicionamento permite perceber a qualidade das nossas lutas, e a capacidade para agir não de forma cega, mas consciente da relação positiva que a crise tem com os ganhos que se adquirem no processo de transformação. Apesar da conjunção Lua/Sol ser num signo de 4º raio, Harmonia através do Conflicto, Marte e Plutão estão num signo de 3º raio, Inteligência Activa. Esta lua nova vem ajudar-nos a tomar consciência do ponto certo em que a tensão atingiu o máximo dentro e fora de nós, aquele ponto exacto do conflicto que nos faz sair do equilíbrio e permite a manifestação da crise que leva à transformação. Tomar consciência do que em nós precisa de ser transmutado requer uma atitude inteligente, activa, madura e firme, mas ao mesmo tempo amorosa e humilde para que possamos aceitar-nos por completo, na nossa luz e sombra, sem deixar que as nossas imagens idealizadas destruam o nosso aprofundamento pessoal. Isto irá permitir que este Marte em Balança deixe de projectar nos outros as suas derrotas, em luta com o seu próprio reflexo, assumindo responsabilidade por aquilo que só ele pode fazer por si mesmo, sem vitimizações ou desesperos irrealistas. É a capacidade de permanecer no meio do caminho agindo no momento certo, para que o equilíbrio se restabeleça após a tempestade. A vitória será aquela em que conseguimos perceber pelo que é que vale a pena morrer, arriscar ou lutar. Em Carneiro, Marte é a coragem para iniciar, nascer, ganhar; e em Escorpião a coragem para terminar, morrer, perder. Do ponto de vista da personalidade, estas duas regências representam princípios completamente diferentes, mas na verdade, em qualquer uma das situações, Marte é o impulso para a Vida. É para que esta Vida Maior, mais Profunda, se possa manifestar, que o guerreiro pretende abrir Caminho por entre as várias grutas e cavernas da nossa psique em que enclausurámos este pulsar Essencial e o traga à superfície onde finalmente possa respirar. É para a manifestação desta Vida Maior que ele (Marte) tem como Ideal de luta e lhe presta Devoção (o 6º raio cósmico, Devoção ou Idealismo). Se olharmos para a serpente de Ouroboros, a Serpente que morde a própria cauda, iniciar/terminar, ganhar/perder, nascer/morrer, são exactamente a mesma coisa, princípios de uma mesma realidade. Ao compreendermos Marte através deste prisma, o facto de estar em exilio perde importância, e a pouco e pouco estaremos menos ligados ao mundo de Maya e com muito menos medo de perder o que quer que (não) seja…

O único aspecto que esta Lua Nova apresenta é uma oposição exacta a Úrano em Touro. Uma vez que Úrano encontra a sua exaltação em Escorpião, há uma certa afinidade relacional entre os três. Como planeta de 7º raio, Magia ou Ordem Cerimonial, Úrano pretende promover as experiências que facilitem a nossa libertação interior (e, por conseguinte, exterior) para que, progressivamente, entremos em Ordem. Pelo facto de Úrano estar em oposição e em Touro, podemos ver isso de forma muito concreta, a acontecer primeiramente no mundo fora de nós até que essa realidade externa tenha reflexos nos conflictos que estamos a viver internamente. Para muitos isso pode ser uma verdadeira tempestade onde experienciamos perdas de segurança repentinas, mas se estivermos bem sintonizados, pode ser exactamente a rapidez com que construímos novas formas de expressão e subimos à superfície à medida que o nosso processo de transformação interno encontra o seu reflexo no mundo exterior.

 

«(…) “Para além do Rio Amímona, fica o fétido pântano de Lerna. Neste pestilento lamaçal está a hidra, uma praga para as redondezas. Nove cabeças tem esta criatura, e uma delas é imortal. Prepara-te para lutar com esta asquerosa fera. Não penses que os meios comuns serão de valia; se uma cabeça for destruída, duas aparecerão em seu lugar.”

Ansiosamente Hércules aguardava.

“Uma palavra de aconselhamento só, posso dar” disse o instrutor. “Nós nos elevamos, nos ajoelhando; conquistamos, nos rendendo; ganhamos, dando.”

(…) Então Hércules lembrou-se do que lhe dissera o instrutor, “nós nos levantamos, nos ajoelhando”. Pondo de lado a sua clava, Hércules ajoelhou-se, agarrou a hidra com as suas mãos nuas e a ergueu. Suspensa no ar, a sua força diminuiu. De joelhos, então, ele sustentou a hidra no alto, acima dele, para que o ar purificado e a luz pudessem fazer o seu devido efeito. O monstro, forte na escuridão e no lodo, logo perdeu a sua força quando os raios de sol e o toque do vento o atingiram. (…) Seus esforços foram enfraquecendo pouco a pouco, até a vitória surgir.»

“Os Trabalhos de Hércules”, Alice A. Bailey

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© Ana Paula Pestana, All Rights Reserved | ap_pestana@hotmail.com

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