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DESABROCHAR DA FLOR DE LOTUS

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PARTE 1

Júpiter em Escorpião

10 de Outubro de 2017 a 8 de Novembro de 2018

Como tenho sempre reforçado ao longo do meu trabalho, toda a manifestação da energia de um planeta através de um signo está dependente do nível de Consciência, individual ou colectivo, através do qual é filtrada. Por isso insisto que este artigo (e os seguintes) pretende reflectir quer as energias presentes no estado actual da consciência da Humanidade quer o potencial a ser alcançado pelo colectivo e que algumas pessoas, de forma individual, já são capazes de expressar.

Começamos por reflectir como tanto o homem e o Planeta Terra são essencialmente constituídos por Água. Somos cerca de 70% água. Em astrologia, este elemento está associado ao corpo emocional, e por conseguinte, às imagens e impressões subjectivas que memorizamos das experiências. Quando pensamos nos processos de desenvolvimento do homem, o nível mais difícil de sofrer verdadeiras alterações corresponde ao corpo emocional. As emoções, os nossos sentimentos, as nossas memórias são a parte que oferecem maior resistência à mudança. Podemos mudar as nossas atitudes, até o nosso pensamento, no entanto, podemos ainda nutrir sentimentos contraditórios ao que fazemos ou pensamos. Memorizamos as impressões subjectivas das experiências e somos altamente (senão totalmente) influenciados por essas memórias.

«A Memória, da forma como a estamos a interpretar, não é simplesmente uma faculdade mental, como é tão frequentemente assumido, mas é essencialmente um poder criativo. Ela é basicamente um aspecto do pensamento e – em conjunto com a imaginação – um agente criativo»

(Esoteric Astrology, Alice Bailey).

Júpiter transita em Escorpião de 10 de Outubro de 2017 a 8 de Novembro de 2018. Escorpião é um signo de Água, mas cujo teor emocional é bastante mais denso que o signo de Caranguejo. As águas de Escorpião são consideravelmente mais densas e muito mais “cabeludas”. Aqui é necessário um esforço acrescido para compreender as motivações e os impulsos que estão ocultos à nossa Consciência e que precisam de ser reconhecidos para que possamos reorientar a nossa vida e apontar para um horizonte que não seja uma repetição do passado.

Júpiter é um planeta que está associado a crescimento. Os seus trânsitos são uma bússola que apresenta o Caminho que a Humanidade deverá escolher para Crescer. No entanto, como somos extremamente míopes, e para nos beneficiar, ele actua por ampliação. Pelas qualidades de ampliação ele permite aumentar a nossa capacidade de visão quer no que respeita à necessidade de compreender o estado em que nos encontramos, quer no que respeita à necessidade de ver mais e melhor para além disso permitindo-nos usufruir das qualidades e benefícios do signo em que transita. A fama do “Grande Benéfico” deve-se ao facto de que os trânsitos de Júpiter permitem as oportunidades que vão trazer benefícios ao nosso processo de desenvolvimento. É a capacidade de visionar um novo Caminho, que há sempre uma escolha melhor do que a nossa “memória” permite vislumbrar. Mas a intenção deste “melhor”, ainda que possa trazer benefícios mundanos, é sempre o de ampliar a nossa relação e conhecimento com a dimensão espiritual do nosso Ser. No entanto, do ponto de vista mundano, em que a natureza instintiva é dominante, o princípio de Júpiter é frequentemente usado para servir os desejos de expansão da personalidade, para favorecer o crescimento e ambições individuais. O homem não desenvolvido (sempre na perspectiva espiritual), procura exclusivamente a obtenção dos benefícios mundanos, a bem aventurança individual. A este nível, Júpiter em Escorpião, está a ser regido pelos princípios exotéricos de Marte e Plutão. Tendo em consideração as qualidades de expansão de Júpiter, e as qualidades de intensidade e profundidade do signo de Escorpião, presumo que nos esperem (ainda) tempos de extremos, principalmente porque a vida da humanidade tem sido essencialmente uma vida de excessos… nesta perspectiva, em Escorpião, o trânsito de Júpiter poderá representar a ampliação da insatisfação e completa cegueira existencial, um tempo de extrema violência e destruição.

Mas apesar desta possibilidade, com Júpiter podemos sempre ter um acréscimo de Fé que permite a esperança que somos capazes de Mudar, e em Escorpião, de mudar de forma extrema. A mudança de que precisamos, individual e colectiva, requer uma profunda alteração no nosso sistema de crenças, no que conseguimos Acreditar sermos capazes para construir um mundo melhor, em conseguirmos Acreditar no potencial que existe se transformarmos a nossa visão para o Futuro. As orientações do nosso sistema de crenças deverão facilitar a resolução dos conflictos e crises individuais e colectivas, bem como permitir o reposicionamento ou a reorientação do homem com relação à razão e sentido da sua própria existência.

Se compreendermos a natureza de Júpiter como a capacidade de Intuir e escolher o novo Caminho a Seguir, este posicionamento em Escorpião parece-me bastante importante, como se nos encontrássemos numa encruzilhada existencial, já que as escolhas a tomar daqui para a frente residem na destruição e morte, ou na Iluminação e consequente reorientação (nossa e por conseguinte, da Humanidade). Enquanto Júpiter ainda se encontra em Escorpião, e apesar de nunca efectuarem aspecto entre si, Úrano ingressa em Touro a 15 de Maio de 2018, permitindo uma activação importantíssima do eixo Touro/Escorpião. De acordo com os ensinamentos esotéricos, Touro é o signo onde o Homem atinge a Iluminação. Durante a permanência neste signo, Úrano permite a Libertação das formas que nos condicionam, a que podemos chamar “desejos”, e Despertar para a vida da Alma. O próprio Buda está associado ao signo de Touro (e porque em astrologia devemos sempre pensar em eixos, o signo de Escorpião). Buda, que significa aquele que está “Desperto”, é a personificação do estado de Iluminação a que se refere a astrologia esotérica com relação a este signo como “O Olho Iluminado do Touro”, aquele que consegue Ver para além de Maya (Escorpião). Esta Iluminação, que é uma consequência do processo de “Despertar”, prende-se com a capacidade de compreender “a verdadeira natureza dos fenómenos” de que nos ensina o Budismo, e que consiste exactamente no entendimento de que todos os fenómenos são impermanentes. Esta consciência permite uma vida plena, livre dos condicionamentos mentais que estão na origem da insatisfação e do sofrimento. No seu potencial, Júpiter em Escorpião representa esta capacidade de compreender o significado de impermanência que está igualmente associada à Lei da Circulação. É compreendermos que tanto do que construímos, nasce, cresce e morre, e ainda assim ficarmos contentes com isso porque conseguimos ver nisso uma oportunidade.  Permite-nos a capacidade de Ver para além do cenário de destruição que está presente nos nossos tempos actuais, na nossa vida pessoal e colectiva (já não dá para pensar de outra forma), a capacidade de avançar sem negligenciar as perdas, os problemas, os conflictos para que possamos Descobrir o Caminho para a Cura. Ampliar o nosso conhecimento com relação a ferramentas de cura e limpeza que sejam Benéficas, e até explorar algumas que antes seriam consideradas tabu. E porque Júpiter é esperança, sabemos que nada se perde, tudo se Trans-forma, mesmo o que parece já não ter utilidade e seria apenas lixo.

Para uma sociedade que se construiu com base em valores essencialmente materialistas, a passagem de Júpiter pelo signo de Escorpião e a activação do eixo Touro/Escorpião com o ingresso de Úrano marcam mais um fim para esta consciência individual e colectiva, bem como a necessidade de reconhecer que, sem Vermos o carácter destrutivo desta forma de estar, ela será, na verdade, o nosso fim. Permite o recomeço e a reconstrução de uma nova sociedade, radicalmente fundada em novos valores. E para podermos ganhar mais, Júpiter em Escorpião ensina que, antes que essa nova realidade colectiva possa acontecer, muito teremos ainda que aprender a perder, mesmo ao nível material. Esta oportunidade de reorientação, redirecionamento que Júpiter proporciona, em Escorpião, implica a passagem por profundos testes e crises antes de passar do teste à Vitória. Preve-se um período de profunda luta, uma luta que pretende eliminar formas de vida obsoletas, onde uns irão lutar para não morrer e onde outros já anseiam por uma nova vida. Por isso é fundamental reconhecermos a nossa natureza destrutiva, lidar com ela de forma honesta para podermos deixar o passado no seu lugar e ambicionar um futuro diferente. Compreender pelo que vale a pena morrer, extrair oportunidades do que necessariamente teremos que perder caso pretendamos continuar a existir, e exercer um correcto uso do Poder. Este novo caminho por entre as cinzas, permite-nos descobrir novos recursos, ocultos para o estado de consciência em que nos encontrávamos antes de “Despertar”. Talvez seja a fase de explorar as últimas gotas daquilo a que poderia chamar a “era do petróleo”, até ao ingresso de Úrano em Touro. É a capacidade de voar mais alto, acima da nossa natureza destrutiva. A este nível Júpiter está a ser regido pelos princípios esotéricos de Marte e (talvez) hierárquicos de Mercúrio.

Durante o seu trânsito pelo signo de Escorpião, Júpiter estabelece contactos bastante favoráveis com Neptuno e Quiron em Peixes e Plutão em Capricórnio. Apesar do seu movimento não ser lento quando comparado com os planetas transpessoais, e dos seus contactos durarem poucos dias, grandes podem ser as suas oportunidades por entre as crises, principalmente porque, neste caso, Júpiter rege Neptuno e Quiron em Peixes, e Plutão rege Júpiter em trânsito.  Estamos disponíveis para não rejeitar aquilo que é o lado negativo da nossa existência e ver, na dor e no sofrimento, oportunidades para as grandes transformações que visionamos serem absolutamente necessárias. Aquilo que era Verdade e fazia Sentido antes, é obsoleto agora. Estamos disponíveis para realizar os Sacrifícios necessários neste novo Caminho, um Caminho de reorientação do inconsciente colectivo, de maior União não importa o credo, a filosofia ou religião. Metemos o dedo na ferida e sabemos exactamente porque dói. Sabemos onde não temos poder e isso facilita e aumenta a vontade de transformar, regenerar, deixar ir, e acreditar profundamente que nada é impossível. E na esfera do impossível podemos Acreditar no aparecimento de Leis menos materialistas, mais inclusivas e compassivas, e que mais possa ser colocado sob a sua protecção. E como se trata de tanta água, em que acrescem os contactos com Neptuno e Quiron em Peixes, muito da nossa cura passará pela limpeza do nosso corpo emocional e, literalmente, dos nossos mares e oceanos, assim como daí poderão surgir novas oportunidades ainda não exploradas.

Do meu ponto de vista, isto significa que, estes próximos anos (talvez até 2025) podem ser de extrema importância no que respeita às possibilidades de Iluminação por parte da Humanidade, um verdadeiro ponto de viragem, com grandes transformações e descobertas, um período de Despertar, de desabrochar da Flor de Lótus. A simbologia desta última está igualmente associada a Buda e ao trabalho desenvolvido sobre a influência de Júpiter em Escorpião e Úrano em Touro. Na Índia, a flor de Lótus simboliza o crescimento espiritual. A sua simbologia começa nas raízes, já que toda a beleza e harmonia que a flor representa à superfície, está dependente e teve origem nas raízes que crescem na obscuridade da água (frequentemente lodosas e turvas). Apesar da pureza e da beleza da flor, ela nunca poderá viver sem as suas raízes… Até que Úrano ingresse em Touro, Júpiter em Escorpião permite-nos desenvolver um trabalho importantíssimo de reconhecimento dos problemas em que vive a Humanidade, um período em que teremos que nos focar nas águas turvas em que se encontram as nossas raízes até que possamos fazer desabrochar a nossa Flor de Lótus.

«Todos vós ansiais pela Luz, pela Libertação daquilo que vos prende. Mas a forma como muitos procuram essa Liberdade é no exterior, através do conhecimento intelectual por exemplo, e isso não será eficaz. A única forma para alcançar a Liberdade é entrar em nós mesmo. Dessa forma teremos que passar por um túnel de escuridão e emergir do outro lado. Onde brilha a luz da verdadeira independência. Apenas após reconhecermos a nossa responsabilidade pela escuridão à medida que percorremos o túnel — uma experiência em nada agradável — poderemos alcançar essa Luz. Enquanto não encontrarmos as imagens que nos condicionam estaremos presos e a reactivar o drama dos nossos erros. Não teremos consciência desses erros e iremos repeti—los continuamente, e isso irá conduzir—nos ao mesmo tipo de realidade.»

(Eva Pierrakos, Pathwork palestra 41)

Que esta temporada de Júpiter em Escorpião seja a nossa viagem pelo Túnel, a exploração das nossas minas de Ouro, a nossa viagem desde a Raiz até à Flor, desde a escuridão até à Luz.

“Júpiter em Escorpião” constitui a Parte 1 do “Desabrochar da Flor de Lótus”, pelo que mais será  desenvolvido com relação à simbologia e propostas de desenvolvimento relativos ao ingresso de Úrano em Touro, signo onde permanece até ao dia 7 de Julho de 2025.

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© Ana Paula Pestana, All Rights Reserved | ap_pestana@hotmail.com

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LUA NOVA – 26º35’ de Balança

Quincuncio quiron em peixes (26º00’) | oposição Úrano em Carneiro (26º33’)

Vivemos uma fase verdadeira desafiante, quer ao nível nacional quer ao nível mundial. E estes novos tempos exigem de nós formas mais criativas de existirmos.

Esta Lua Nova que ocorre no dia 19 de Outubro, surge no tempo certo, perfeitamente alinhada com as circunstâncias, para que possamos desenvolver em nós uma real consciência de Relação. Não vou abordar o tema desta lunação do ponto de vista pessoal, ainda que cada um, individualmente, deva trabalhar as suas intenções na sua realidade pessoal. Para mim é inevitável, e talvez mesmo mais importante, que a análise deste novo ciclo de lunação recaia essencialmente sobre o flagelo que nos tem acompanhado nestes últimos dias.

Enquanto Humanidade, consciência colectiva, estamos viciados em padrões relacionais obsoletos pelas razões óbvias e evidentes. Na melhor das hipóteses poderíamos até pensar em formas de beneficio mutuo baseados na simbiose, mas mesmo essas, como a maior parte de nós as tem vivido, baseiam-se numa troca sustentada no interesse individual e egocêntrico. Infelizmente, e de uma forma geral, vigora por toda o mundo o parasitismo. Usamos os recursos do nosso hospedeiro até que o mesmo sucumba. Mas logo aqui deparamo-nos com um problema, é que Marte ainda não “está pronto” e ao ritmo a que consumimos o nosso hospedeiro, não me parece que tenhamos tempo de “mudar de casa”.

Na análise astrológica do mês de Setembro deste ano referia-me desta forma com relação ao movimento retrógrado de Plutão em Capricórnio:

«Desta vez começo a análise do movimento planetário para este mês de Setembro pelo fim. E o “fim” tem tanto (ou tudo) a ver com Plutão… Plutão inicia movimento directo a 28 de Setembro a 16º51’ de Capricórnio depois de ter estado retrógrado desde o dia 20 de Abril. (…) Porque Capricórnio está relacionado com culminação, o movimento retrógrado de Plutão permite-nos aprofundar o conhecimento que precisamos de desenvolver acerca do que realmente chegou a um fim. E antes que esse “fim” chegue, teremos ainda que lidar com a resistência em aceitar que nada dura para sempre…  Sentimo-nos sem poder perante o poder mais ou menos destrutivo das circunstâncias. Quando Plutão passa a movimento directo, temos a oportunidade de provocar as transformações que reflectem esse acréscimo de Consciência ou simplesmente que reflectem esse equívoco e ilusão. (…) Atrevo-me a dizer que a sociedade e o mundo como o conhecíamos será, literalmente, algo do passado… (…)»

(www.ascendentt.wordpress.com)

E em “Março Astrológico 2017”:

«Desde 2016, ano em que começou a desfazer-se a quadratura entre Plutão em Capricórnio e Úrano em Carneiro, que começámos progressivamente a desviar o focus da nossa atenção para outras análises. No entanto, mesmo que assim seja, não se desfazem os simbolismos da sua passagem por Capricórnio, e talvez seja importante não esquecer que aquilo que aparentemente é uma guerra entre hábitos culturais, religiosos ou filosóficos, esconde motivos muito mais profundos. Uma das qualidades de Plutão, é ajudar-nos a perceber que as coisas são sempre mais do que aquilo que aparentam à superfície. Os conflictos do mundo assentam essencialmente sobre a morte e falência de um sistema económico que teima em subsistir e prevalecer a qualquer custo. »

(www.ascendentt.wordpress.com)

E nada disto me soa a uma relação de Amor. Passámos muito tempo, tempo demais, a desenvolver competências que nos favorecessem individualmente sem nunca pensar no impacto que isso teria no mundo à nossa volta e, por conseguinte, em nós mesmos porque, tudo o que vai sempre volta. E nesta ignorância vivencial fomos construindo, ou talvez melhor destruindo, a relação com o mundo à nossa volta.

Ensina a Sabedoria antiga que o exterior é um reflexo de nós mesmos. Se aprofundarmos a interpretação deste principio, percebemos que o “objecto” com o qual nos relacionamos, como sejam as outras pessoas, os animais, os oceanos, as árvores, a Terra, são senão… nós mesmos. Então tudo o que fazemos a esse “objecto” fazemos a nós mesmos. Balança, um signo regido por Vénus, remete para a necessidade de desenvolver esta consciência de Relação, de Correspondência. Que desarmonização interna acontece em nós que se reflecte e se tem repercutido na desarmonia externa? Como o flagelo externo reflecte tanto do flagelo interno. Mas tudo funciona em espelho, por correspondência, por isso devemos de fazer um esforço, individual e colectivo, para reconhecer o que precisa de mudar para que as nossas relações com o exterior reflictam melhorias.

«Nós não podemos viver sem fazer trocas com o mundo que nos rodeia. A começar pela respiração e pela nutrição, toda a nossa vida é feita de trocas; os orgãos dos sentidos (o tato, o paladar, o olfato, a audição e a visão) foram-nos dados pela Natureza para podermos fazer trocas com a Criação e com as criaturas. E a nossa vida afectiva e intelectual consiste igualmente em encontros e trocas: por palavras, por sentimentos, por pensamentos, estamos sempre a tecer uma rede de relações que é a base da vida familiar e social. Se os humanos ainda não retiram muitas bençãos dessas trocas é porque, muitas vezes, não ultrapassam o nível do instinto, do inconsciente. As plantas e os animais também respiram e se alimentam, os animais também têm orgãos dos sentidos e, por vezes, até melhor desenvolvidos do que no homem, e têm igualmente uma vida familiar e social. Cabe aos humanos tornarem mais profundas, mais ricas, todas as trocas que fazem com a Natureza e os seres com quem se relacionam.»

(Omraam Mikhael Aivanhov)

Como regente de Touro Vénus representa a construção da harmonia e do estado de paz pessoal através desta Consciência Divina para que, através da Balança possamos construir as pontes de levam essa paz ao resto do mundo. Em conjunto com Saturno, regente hierárquico de Balança, Vénus é a essência que permite a construção do Antakarana, em sânscrito a ponte do arco iris, situado ao nível do chakra do Coração. É neste Centro que a substância mental é utilizada para construir uma ponte entre a personalidade e a Alma através da energia do Amor.

Vénus representa o principio energético do 5º raio do Conhecimento Concreto e da Ciência. Esta é a energia que permite compreender a Relação entre o que está em cima e o que está em baixo, procurando activamente estabelecer uma ponte e união entre estes dois princípios dentro de nós, até que espírito e matéria estejam em perfeita harmonia e equilíbrio.  É a compreensão de que “a matéria é o espírito na sua forma de manifestação mais densa e o espírito é a matéria na sua manifestação mais subtil”. E isto torna urgente mudar a forma como olhamos para a Terra e tudo o que nos envolve no plano da matéria.

Na sua forma mais elevada de Consciência, trabalhamos a energia deste signo através de Úrano, que é regente esotérico de Balança e canaliza através deste signo os princípios energéticos do 7º raio da Magia ou Ordem Cerimonial. Representa a Vontade de manifestação da natureza Divina e, através da pontes que construímos, trazer a Paz, a Beleza , a Harmonia através da consciência do que significam “correctas relações humanas” de que nos fala o mestre Djwhal Khul.  É a capacidade de restabelecer Ordem a partir da compreensão  destes princípios.

Esta Lua Nova em Balança estabelece relação com Quíron em Peixes e Úrano em Carneiro. O quincuncio com Quiron em Peixes, remete para a necessidade de despertarmos para a dor e sofrimento que, silenciosamente, se foi construindo ao longo desta relação. A única forma de nos curarmos (pelo bem da relação e de nós mesmos) é compreender e integrar a origem da ferida. A origem da nossa desconexão, do nosso desinteresse da nossa falta de empatia que nos conduziu a abandonar, ou rejeitar, o compromisso que temos para com a vida. Oportunidade para nos reconhecermos na dor e sofrimento dos que tanto perderam, humanos e não humanos, e que isso fortaleça as pontes entre nós numa verdadeira vontade de apoio e entre-ajuda.

A oposição a Úrano em Carneiro torna urgente a “demissão” da parte (interna e externa) que não honra o compromisso. Queremos mais, melhor, Diferente…

Que esta Lua Nova em Balança sirva para meditarmos e invocarmos esta consciência de Relação em nós e em toda a Humanidade. Que permita a tomada de consciência da correspondência entre as mudanças que ocorrem no mundo e as mudanças que precisam de ocorrer em nós. Que possamos perceber onde e como perdemos a Ligação para que possamos  reaprender a viver uma Relação de Amor com a Terra para que possamos restabelecer a Relação “com o que está em cima”. Restabelecer a Ligação amorosa, de respeito para que possamos construir novas e mais pontes que nos conectem em empatia e para que possamos unir esforços e intenções, assumir compromissos justos que visem um real e mutuo beneficio.

Tudo isto para que a Magia aconteça e se quebre o feitiço que nos mantém adormecidos…

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© Ana Paula Pestana, All Rights Reserved | ap_pestana@hotmail.com

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Começamos a análise deste mês fazendo uma retrospectiva de algumas referências em meses anteriores. O mês de Setembro foi extremamente desafiante do ponto de vista colectivo, e na análise astrológica desse mês referia-me desta forma com relação ao movimento retrógrado de Plutão em Capricórnio:

«Desta vez começo a análise do movimento planetário para este mês de Setembro pelo fim. E o “fim” tem tanto (ou tudo) a ver com Plutão… Plutão inicia movimento directo a 28 de Setembro a 16º51’ de Capricórnio depois de ter estado retrógrado desde o dia 20 de Abril. (…) Porque Capricórnio está relacionado com culminação, o movimento retrógrado de Plutão permite-nos aprofundar o conhecimento que precisamos de desenvolver acerca do que realmente chegou a um fim. E antes que esse “fim” chegue, teremos ainda que lidar com a resistência em aceitar que nada dura para sempre… Durante este período parece que Re-gredimos a estados de Consciência mais básicos, quer coletivamente quer individualmente. Sentimo-nos sem poder perante o poder mais ou menos destrutivo das circunstâncias. Quando Plutão passa a movimento directo, temos a oportunidade de provocar as transformações que reflectem esse acréscimo de Consciência ou simplesmente que reflectem esse equívoco e ilusão. (…) Atrevo-me a dizer que a sociedade e o mundo como o conhecíamos será, literalmente, algo do passado… (…)»

(www.ascendentt.wordpress.com)

 

E se voltarmos um pouco mais atrás no tempo, podemos ler o seguinte acerca de Úrano retrógrado em Carneiro na análise do mês de Agosto:

«Úrano em Carneiro inicia movimento retrógrado no dia 3 de Agosto passando a directo apenas a 2 de Janeiro de 2018 (por essa altura já Saturno ingressou em Capricórnio a 20 de Dezembro de 2017). Durante este período revemos aquilo que para nós era importante mudar e reavaliamos o nosso conceito de Liberdade.  Eventualmente, as condições externas não favorecem a liberdade de expressão e precisamos de encontrar formas mais inteligentes de nos afirmarmos que não sejam agressivas e intempestivas. Ao nível social e colectivo, o principio de Úrano representa as ideologias que formam uma sociedade e relacionam os indivíduos entre si para que funcionem como um grupo, como uma identidade colectiva. O movimento retrógrado propõe a revisão das ideologias de uma nação, o que significa vivermos realmente em Democracia por exemplo, e como precisamos de rever a forma como essas ideologias e princípios são aplicados ao bem comum.  Como sabemos tudo depende do nosso nível de Consciência, a manifestação do que é bom e mau…. (…)» 

(www.ascendentt.wordpress.com)

 

O motivo pelo qual retrocedo no tempo antes de iniciar a análise para o mês de Outubro deve-se ao facto de que, desde o dia 3 de Agosto até ao dia 20 de Setembro, Quíron, Úrano, Neptuno e Plutão estiveram em movimento retrógrado em simultâneo. Úrano, Neptuno e Plutão estão fora da nossa esfera de acção ou poder pessoal porque eles representam os princípios primordiais, o fluxo energético da inteligência do Universo que transcende (por isso são Trans-pessoais) as pequenas vontades dos homens. A sua função é actualizar o compasso do Homem perante o compasso do Universo. O movimento retrógrado destes 3 planetas em simultâneo força-nos a submergir e a Re-ver de forma extra-ordinária o nível de desconexão, ilusão e abuso de poder com que temos vivido as nossas vidas.   Estes planetas regem princípios e energias que afectam toda a Humanidade e por esse motivo o impacto produzido pelo movimento retrógrado sobre a Consciência Colectiva é muito intenso. Quíron remexe nas feridas provocadas pela Ilusão de separatividade. Aquilo que sentimos como um aparente retrocesso nas nossas vidas é apenas fase de um processo que pretende a entrada de novas formas de viver da Vida na Terra.  Nunca antes, na memória da nossa curta existência, vivenciámos tantos terramotos, furacões e tempestades  em simultâneo em tão curto espaço de tempo. Ou vivemos tempos que nos fazem duvidar das mudanças que julgávamos já ter conquistado como Liberdade e Democracia. O impacto de Quíron e Neptuno retrógrado, e em especial pelo contacto que efectuaram com a Lua Cheia em Peixes (no dia 6 de Setembro) e com a Lua Nova em Virgem (no dia 20 de Setembro), acrescentam uma espécie de impotência perante a “força mais ou menos destrutiva das circunstâncias”. Sentimo-nos talvez feridos e até abandonados pela “providência Divina” sem encontrar sentido ou explicação para tamanha, e repentina, Destruição. Pela dificuldade e mesmo impossibilidade em controlar e evitar a força das circunstâncias, sentimo-nos vitimas do caos em se encontram as nossas vidas.

No mês de Outubro, dos três planetas transpessoais, apenas Plutão retoma o movimento directo (desde o dia 28 de Setembro). Estão fortes as energias de Balança trazendo a oportunidade de harmonização, equilíbrio e ponderação, a um cenário energético que tem sido de extremos conflicto e instabilidade. O exemplo dos acontecimentos colectivos, em especial os vividos através da Catalunha, remetem para a última oposição entre Júpiter em Balança e Úrano em Carneiro e para a tensão provocada pelo movimento retrógrado de Úrano e Plutão.  O Sol em Balança faz quadratura a Plutão em Capricórnio entre o dia 8 e 12, sextil Saturno em Sagitário de 15 a 19 e oposição a Úrano em Carneiro de 18 a 22.  Ingressa em Escorpião no dia 23 de Outubro e entre o dia 24 e 29 encontra-se com Júpiter. A energia que o Sol irradia sobre a Terra através do signo de Balança pretende que despertemos para a necessidade de tomarmos consciência das forças opostas que ainda existem em nós, e por conseguinte, na Humanidade. Ao conseguirmos estabelecer um centro entre estas forças teremos a capacidade de estabelecer entre elas relação e, por conseguinte, desenvolver o processo de síntese que leva, após o seu ingresso em Escorpião, à capacidade de resolução do conflicto que significa a transformação das partes que não contribuem para o desenvolvimento pessoal e colectivo. Até que essa consciência seja alcançada, medimos forças e desequilibramos os pratos da Balança. Devemos transpor para a nossa vida pessoal esta reflexão. Os aspectos difíceis ao Sol tornam o processo muito mais intenso, violento e instável.

Mercúrio transita pelo signo de Balança até ao dia 17 de Outubro. A mente está focada na necessidade de analisar os dois lados das circunstâncias com o objectivo de compreender o que tem mais peso perante aquilo que estamos a viver. Pensamos em formas de relacionar princípios, pessoas e circunstâncias, em compreender como podemos organizar a vida de forma a reequilibrar todas as partes e em estabelecer pontes entre factos e ideias que se aparentam isolados. Em Balança faz conjunção ao Sol entre o dia 6 e 11 de Outubro, quadratura a Plutão em Capricórnio entre o dia 8 e 10, sextil a Saturno em Sagitário de 11 a 14, e oposição a Úrano em Carneiro de 14 a 16. Encontramos bastantes desafios à necessidade de resolver conflictos através do diálogo, mas a verdade é que torna-se importante analisar o caminho que estamos a percorrer para poder pesar bem as perdas e os ganhos antes de podermos introduzir mudanças. Esta forma de pensamento facilita a resolução dos problemas e obstáculos e a partilha de ideias e o diálogo permitem ultrapassar barreiras apenas porque não conseguíamos “ver” o outro lado da questão. Mercúrio ingressa em Escorpião no dia 17 de Outubro e faz conjunção a Júpiter entre o dia 17 e 19, trígono a Neptuno em Peixes entre 23 e 26 de Outubro e sextil a Plutão em Capricórnio entre o dia 27 e 30. Mercúrio tem bastante afinidade com o signo de Escorpião, já que representa a energia de 4º raio de Harmonia através do Conflicto e é regente hierárquico deste signo.  Durante este trânsito, e pelos aspectos que realiza, temos a oportunidade de ter grandes benefícios resultantes da partilha de ideias. Teremos que estar disponíveis para pensar de forma honesta acerca das nossas intenções e motivações, para que possamos objectivar os nossos conflictos internos que dificultam a harmonização individual e que se reflectem na realidade de cada um. Precisamos de abordar e aprofundar assuntos que, apesar de intensos e difíceis são fundamentais para a resolução dos problemas. Teremos que olhar para temas e assuntos que até agora teriam sido evitados pelo desconforto que produzem.

Vénus em Virgem faz trígono a Plutão em Capricórnio entre o dia 2 e 5, quadratura a Saturno em Sagitário entre o dia 7 e 10 de Outubro e quincôncio a Úrano em Carneiro de 10 a 13. Do ponto de vista da personalidade este é considerado um posicionamento difícil para Vénus (em queda). Isto deve-se essencialmente à natureza separativa da mente inferior dificultando a intenção do principio venusiano que é a união através do amor. Traduzido para a nossa realidade, podemos viver períodos de maior dificuldade em conseguirmos o entendimento pela forma separativa e discriminativa como pensamos. Desta forma todo o detalhe ou imperfeição torna-se num grande problema, um verdadeiro peso do qual não nos conseguimos libertar apenas porque estamos a valorizar apenas parte do problema. Ou podemos aproveitar a oportunidade para servir mais que ser servido e para aperfeiçoar a forma como nos relacionamos com os outros e para procurar compreender em que estado de “saúde” se encontra a nossa democracia. Procuramos construir algo que seja verdadeiramente útil e possa resolver mais do que complicar. Os recursos parecem que não esticam, pelo contrario, estão bastante limitados, mas também aqui temos a oportunidade de reavaliar a natureza do nosso desejo, de que forma aquilo que valorizamos contribui para o nosso aperfeiçoamento ou apenas a expressão de um capricho. Depois de ingressar em Balança no dia 14 de Outubro Vénus faz quadratura a Plutão em Capricórnio entre o dia 27 e 29. Desejamos Paz, e como desejamos… este posicionamento de Vénus, em domicilio, remete para a força energética que exerce perante a necessidade de nos respeitarmos e de construirmos pontes que nos coloquem em “correctas relações humanas”. Tudo isto parece tão difícil perante o poder destrutivo de determinados governos e estruturas sociais. Precisamos de novas formas de acordo e parceria mesmo que isso signifique um conflicto com outro tipo de interesses. Teremos igualmente que perceber o que estamos dispostos a perder para nos libertarmos de algum peso e podermos atingir o equilíbrio que desejamos.

Antes de ingressar em Balança no dia 22 de Outubro, Marte em Virgem faz trígono a Plutão em Capricórnio de 1 a 5 de Outubro, A quadratura a Saturno em Sagitário de 8 a 15 e o quincôncio a Úrano em Carneiro de 14 a 20 de Outubro mostra uma dificuldade em agir perante a pressão por parte das circunstâncias. Redução na liberdade de acção exigindo ponderação e uma forma mais inteligente na forma como lutamos pelos nossos objectivos.

Júpiter ingressa em Escorpião no dia 10 de Outubro onde vai permanecer até ao dia 8 de Novembro de 2018. Se pensarmos nas suas qualidades como planeta das oportunidades, inicia-se um período de extra-ordinária renovação. O tema de Júpiter em Escorpião será desenvolvido pela altura do seu ingresso.

Bom trabalho para Outubro.

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Lua Cheia a 13º53′ no signo de Peixes

Tivemos duas luas novas em Leão, 2 ciclos acompanhados por eclipse lunar e solar, colocando grande ênfase no desenvolvimento individual , na consolidação da nossa Identidade, através de crises existenciais que podem ter permitido a revelação do que esta Identidade representa.

Passamos de uma energia Yang para uma de Recolhimento, uma transição intensa tendo em conta a concentração de energia que tivemos no signo de Leão desde o ciclo anterior. Esta “nova” Identidade, pelo menos nova na nossa Consciência, pode agora (começar) germinar em Virgem (signo regido por Mercúrio). Virgem representa a Mãe, aquele que recebe e nutre a semente do Cristo, a que podemos chamar de Consciência da Alma que é Amor-Sabedoria. A astrologia esotérica refere que Sol e Mercúrio são um só. Astronomicamente Mercúrio não se afasta do Sol mais que 48º, no máximo uma semi—quadratura, estando sempre muito próximos um do outro. Esta simbologia estabelece uma relação muito estreita entre a mente e o desenvolvimento da Consciência. Conforme nos ensina a astrologia esotérica através de Alice Bailey, Mercúrio no primeiro estágio de desenvolvimento pretende mediar entre a vida da personalidade e da Alma de forma a conduzir-nos à “Harmonia através do Conflicto” (energia de 4º raio representada por Mercúrio) entre estes dois níveis de Consciência. Quando o individuo se permitiu a Humildade para aceitar submeter-se à vida da Alma, então Mercúrio não é mais um mediador mas sim o verdadeiro “mensageiro dos deuses” permitindo a capacidade de entrar na matéria sem se desconectar da Consciência da Alma. E isto mostra como é tanto o Trabalho (uma verdadeira qualidade do signo de Virgem) que ainda temos pela frente.

Talvez esta Lua Cheia passe ainda, e primeiramente, por conseguir reconhecer e descriminar que sentimentos ainda deturpam o melhor de nós mesmos, e que conflictos ainda impedem esta união entre a Alma e a personalidade. O que pretendemos com o Sol em Virgem é iluminar a inteligência discriminativa que permite sintetizar a experiência individual e apurar os aspectos (da personalidade) que precisam de ser trabalhados para que o sentimento de unificação seja real. Tomarmos Consciência do que em nós precisa de ser renunciado e sacrificado de forma a nos libertarmos desses apegos e ilusões.

 Talvez este possa ser um momento (como tantos que a vida, felizmente, nos presenteia) para definirmos alguma ordem perante o caos e confusão em que se encontra a Humanidade e, porque dela fazemos parte e somos várias partes de um todo assim nos ensina o signo de Virgem com a sua consciência discriminativa, perante o caos e confusão em que cada um de nós se encontra.

Tendo em conta que saímos de energias tão fortes de Leão (como já foi referido), que o Sol em Virgem possa permitir à Humanidade a humildade, a objectividade e a introspecção critica, de auto-análise que possibilite a redução de excessos de protagonismo e de exibições de poder. É a força desta Consciência que permite trabalhar a hipersensibilidade da Lua em Peixes que sozinha permite todo o tipo de ilusões e equívocos. Trabalhamos, com os pés assentes na Terra, para que essa semente de Amor-Sabedoria possa crescer. Como podemos fazer algo de verdadeiramente útil com aquilo que sentimos ter de especial em nós e como isso se reflecte na forma como cuidamos e trabalhamos da dor e do sofrimento, nosso e do outro.

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Desta vez começo a análise do movimento planetário para este mês de Setembro pelo fim. E o “fim” tem tanto (ou tudo) a ver com Plutão… Plutão inicia movimento directo a 28 de Setembro a 16º51’ de Capricórnio depois de ter estado retrógrado desde o dia 20 de Abril. Em termos colectivos, é como se voltássemos atrás no tempo no que respeita a forma como usamos o poder, como ainda somos dominados por aspectos mais sombrios da nossa personalidade quando se trata de alcançarmos as nossas ambições e preservar a nossa imagem ou status social em detrimento do bem colectivo. Porque Capricórnio está relacionado com culminação, o movimento retrógrado de Plutão permite-nos aprofundar o conhecimento que precisamos de desenvolver acerca do que realmente chegou a um fim. E antes que esse “fim” chegue, teremos ainda que lidar com a resistência em aceitar que nada dura para sempre… Durante este período parece que Re-gredimos a estados de Consciência mais básicos, quer coletivamente quer individualmente. Sentimo-nos sem poder perante o poder mais ou menos destrutivo das circunstâncias. Quando Plutão passa a movimento directo, temos a oportunidade de provocar as transformações que reflectem esse acréscimo de Consciência ou simplesmente que reflectem esse equívoco e ilusão. A temática de Plutão em Capricórnio parece estar esquecida perante a passagem do tempo, desgastada e substituída ou amenizada pelo ingresso dos outros planetas em signos diferentes. Mas é importante relembrar, de tempos a tempos, que a temática de Saturno está cá para durar, já que irá ingressar em Capricórnio (signo de sua regência) a 20 de Dezembro deste ano e Plutão ainda estará em Capricórnio até 2025. Atrevo-me a dizer que a sociedade e o mundo como o conhecíamos será, literalmente, algo do passado…

Mas vamos manter-nos, por enquanto, no mês de Setembro deste ano de 2017. Ainda retrógrado em Leão, Mercúrio faz conjunção a Marte de 1 a 5 de Setembro e trígono a Úrano em Carneiro entre o dia 1 e 10. Este é um período que potencia o verdadeiro “idiota” em nós, em que a reflexão interna permite o emergir de novas ideias e formas de pensar e compreender a realidade de forma mais criativa e pensarmos no que realmente nos define e como lidamos com a realidade. O movimento retrógrado de Mercúrio pelo signo de Leão força-nos a Re-pensar acerca destas imagens mentais e como podemos Re-criar a realidade no nosso pensamento. Como nos projectamos ao nível da comunicação, os nossos reveses e dificuldades, o que pensamos acerca de conceitos como liderança e afirmação da nossa vontade ou poder pessoal. Ao iniciar o movimento directo a 5 de Setembro a 28º26’ de Leão, Mercúrio traz consigo os problemas e as soluções que foram possíveis encontrar durante a fase retrógrada. Ingressa em Virgem a 10 de Setembro onde faz conjunção a Marte de 15 a 19, oposição a Neptuno em Peixes de 19 a 21, trígono a Plutão em Capricórnio de 21 a 23, quadratura a Saturno em Sagitário de 24 a 26 e quincôncio a Úrano em Carneiro de 28 a 30. Já novamente em domicílio e com os contactos que estabelece, a mente procura organizar as ideias, e em pensar em formas concretas de as tornar uma realidade. Pretende-se que trabalhemos a nossa capacidade de autoanálise e em novas ferramentas que permitam colocar em prática as ideias mais criativas bem como aprofundar e aperfeiçoar o que inicialmente foi apenas uma ideia ajustando-a à realidade das circunstâncias. Teremos que lidar com bloqueios aos nossos esquemas mentais, com as dificuldades e limitações que surgem entre a nossa capacidade de interpretar os factos e a realidade e a nossa necessidade de expansão. Dar mais tempo para amadurecer ideias, pensar em novas formas de resolver os problemas, trabalhar a nossa capacidade de comunicação mantendo em mente os detalhes e os pormenores mais práticos sem perder de vista o ideal que desejamos alcançar. Temos a oportunidade de usar o pensamento para pensar em novas formas de Servir, quer na nossa esfera pessoal quer colectiva. Será uma boa oportunidade para que a mente colectiva possa pensar em novas ideias para resolver os problemas actuais da Humanidade, como são o caso dos conflictos internacionais, é(t)nicos e do caos ambiental em que se encontra o planeta Terra porque ainda são muitos os que continuam a viver a ilusão de que os problemas não existem.

Vénus em Leão faz trígono a Saturno em Sagitário de 11 a 14, sextil a Júpiter em Balança de 13 a 18 e trígono a Úrano em Carneiro de 16 a 18. Teremos boas oportunidades para consolidar investimentos, expandir parcerias e construir novas formas de expressão. Período de maior abertura relacional. Ingressa em Virgem no dia 20 de Setembro e inicia a oposição a Neptuno em Peixes entre o dia 28 e 30. Oportunidade para separar e a discriminar o que verdadeiramente tem valor para nós, sem deslumbramentos ou luxos excessivos, procurando resolver as nossas expectativas relacionais. Na prática o que trazemos para as relações e como trabalhamos as nossas parcerias. Importa-nos a simplicidade e precisamos de perceber que são as pequenas coisas que importam e têm valor.

Marte ingressa em Virgem a 5 de Setembro e faz oposição a Neptuno em Peixes de 22 a 27 de Setembro. Talvez seja importante abrandar o modo como “disparamos” energia e agir de forma mais objectiva e precisa. Menos espectáculo nas atitudes que tomamos e mais humildade nos processos de tomada de decisão.

Durante este mês transitamos de fortes energias em Leão, para passar para uma energia mais realista e menos dramática. Passámos por uma forte ampliação de poder pessoal que, em alguns casos, resultou em períodos de forte desenvolvimento criativo e, para outros, um período para grandes equívocos e crises de identidade com uma excessiva necessidade de afirmação pessoal e deturpação do que significa autoridade. É urgente deixarmo-nos de excessos de importância individual para trabalharmos a nossa capacidade de autoanálise de forma a tornar real o melhor de nós mesmos. E este é sem dúvida um mês de Trabalho, com todos os planetas pessoais a ingressarem e a transitarem pelo signo de Virgem, incluindo o domicílio de Mercúrio e o ciclo de lunação no eixo Virgem / Peixes. Sol em Virgem faz oposição a Neptuno em Peixes de 3 a 7 de Setembro, trígono a Plutão em Capricórnio de 9 a 11, quadratura a Saturno em Sagitário de 12 a 16 e quincôncio a Úrano em Carneiro de 18 a 22. Somos forçados a lidar com as nossas imperfeições, reflectidas através da realidade que nos circunda e das nossas relações, ao mesmo tempo que trabalhamos para cuidar do “estado de saúde” em que se encontram as nossas vidas. Precisamos simultaneamente de fortalecer a nossa consciência de serviço para podermos questionar de forma objectiva de que forma contribuímos para o bem comum, se aquilo que somos serve o colectivo sem que isso fira o nosso orgulho. Escolher bem onde vale a pena gastar energia com plena consciência dos limites e limitações à expressão da nossa vontade. Parece-me que estaremos mais focados na resolução de problemas, na “lavagem de roupa suja”, até ao seu ingresso em Balança, a 22 de Setembro.

De 20 a 30 de Setembro Júpiter faz a última oposição a Úrano em Carneiro antes de ingressar em Escorpião no dia 10 de Outubro. Durante esta fase, e após as várias oposições entre ambos, criámos o desapego suficiente ao nosso sistema de crenças para que seja agora mais claro compreender que caminho queremos fazer. Com o que é que nos queremos comprometer, que parecerias desejamos expandir e reflectem esta nossa necessidade de mudança. Colectivamente (e apesar disto parecer um pouco fatalista relevem a limitação do discurso) esgotámos as oportunidades de rever e mudar a forma como expressamos a nossa necessidade de Liberdade e compreendermos que essa Liberdade está dependente da capacidade de respeitar as Leis que nos colocam em correctas relações humanas. A capacidade de expandir o nosso entendimento sobre a Lei da Correspondência irá permitir compreender que todas as mudanças que pretendemos implementar terão reflexo em tudo o que nos rodeia porque estamos em permanente estado de relação. Portanto esta é a fase para o “entendimento final” entre diplomatas e radicais, optarmos pelo caminho da diplomacia e do diálogo de forma a encontrar um entendimento e um ponto comum de ligação e respeitar acima de tudo a paz e a harmonia entre cada um, ou romper definitivamente com estes princípios.

Bom trabalho para Setembro.

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Lua Nova em Leão (28º53’) 

Eclipse Solar Total

O eclipse solar que ocorre no dia 21 deste mês a 28º53’ do signo de Leão tem dado que falar. Deixo-vos a minha reflexão. Começamos por compreender o que significa um eclipse Solar. Em termos astronómicos, significa sempre que o Sol encontra-se conjunto à Lua quando visto a partir da Terra. Mas durante o eclipse há a particularidade de existir um alinhamento entre o plano orbital da Lua com relação à Terra e desta com o Sol, de tal maneira que, da Terra, ficamos privados de ver o Sol. A Lua fica posicionada entre a Terra e o Sol (no meio) de tal forma que o Sol eclipsa-se… No que respeita à leitura e interpretação destes eventos, desde a antiguidade, os eclipses estão sempre associados a perdas. Como reside em nós, enquanto seres humanos, o medo de perder (faz parte do instinto de sobrevivência preservar as formas de vida que julgamos essenciais para nós) é fácil compreender porque os eclipses estão (ainda hoje) conotados como algo de negativo e preocupante. Os eclipses correspondem a sínteses do processo que existe entre o efeito do sol e da lua na humanidade, aquilo a que podemos chamar de aquisição de consciência e libertação de hábitos e padrões de comportamento. Periodicamente, ciclicamente, há como que uma actualização entre a experiência e o propósito, entre forma e energia. E como em qualquer processo de síntese, há necessariamente perdas e transformações, a passagem de algo isolado para algo composto, a que podemos chamar de Consciência. De acordo com a filosofia, síntese corresponde a uma composição ou reunião das diversas partes de um todo em algo único; Unificação.

Portanto seja pela ciência, pela filosofia ou pela astrologia, integrar o principio de um eclipse é ter a capacidade de encontrar uma síntese entre aquilo que é a nossa Força e Vontade e aquilo que ainda nos enfraquece e fragiliza, e passarmos desses elementos isolados e presentes em nós para o todo, das causas para as consequências. Como somos essencialmente infantis pensamos ou temos muito receio de lidar com as consequências, que neste caso podemos associar às manifestações negativas que a Humanidade atribui aos eclipses. Porque, verdade seja dita, ninguém é perfeito… e à semelhança do que acontece astronomicamente, quando estes três astros se alinham, todo o nosso “desalinhamento” com a Consciência espiritual, através das nossas escolhas e atitudes, tornam-se reais e evidentes. Eclipsa-se o que “não é real” do ponto de vista do desenvolvimento espiritual, o que não contribui para o processo de Unificação, de síntese.

Podemos ler o seguinte, com relação ao eclipse solar total do dia 21, no artigo da Visão do dia 7 de Agosto:

«Apesar de não existir nenhuma evidência de que o evento produza impacto em nós, ao nível físico, não se pode dizer o mesmo no campo psicológico. E não é de agora. A diferença é que os sacrifícios humanos que se faziam nestas alturas entraram em desuso nas sociedades ditas civilizadas. Os avanços científicos contribuíram para isso. Porém, não obscurecem completamente os medos e as fantasias sobre o que ainda é desconhecido e, como tal, matéria prima para ficção e muito agito, especialmente se tiver o rótulo – ou o título – de “total”.»

O medo ou a apreciação negativa que acompanham os eclipses deve-se ao facto de que a nossa noção de existência está ainda essencialmente associada ao plano físico e ao que é cientificamente provado. Queremos provar com os mesmos instrumentos de análise fenómenos que acontecem em planos diferentes. E esta noção de existência, este paradigma existencial, é um tema essencial quando se trata de reflectirmos acerca de, não um mas dois (este acompanhado por um eclipse), ciclos de lunação em Leão, um signo que está associado a Identidade, à noção de existência individual. Qual a nossa Consciência Existencial?

Desejavelmente queremos evoluir do medo para a consciência, com a capacidade de compreender que as possíveis manifestações negativas do eclipse estão associados, são síncronos e proporcionais com a nossa realidade interna. Teremos que passar da necessidade de meramente compreender o impacto físico e psicológico para a necessidade de compreender o impacto que este (e qualquer outro evento astrológico) tenha no nosso desenvolvimento espiritual. Caso contrário não evoluímos assim tanto na nossa sociedade dita civilizada. É verdade que hoje em dia não fazemos os mesmos sacrifícios humanos de antigamente, mas era importante perceber que Sacrifícios continuam a ser fundamentais, mesmo nos tempos de hoje. De tempos a tempos a nossa vida passa por processos de síntese voluntárias ou involuntárias até que passemos, simbolicamente, da Lua para o Sol. E isto, é um acto Heróico, que exige grandes Sacrifícios para que consigamos emergir triunfantes sobre a nossa natureza inferior, lunar. Seguindo a simbologia da terminologia, no eclipse solar aquilo que se eclipsa é a consciência que tínhamos até então acerca de nós próprios e das circunstâncias. Somos de certa forma forçados a abordar os problemas e a vida através de um novo entendimento. E porque neste caso é a Lua que bloqueia a energia do Sol, trata-se de compreendermos que aspectos da nossa psique bloqueiam a Luz da Consciência. Podemos abordar este eclipse como a necessidade de compreender o que ainda nos domina ao nível instintivo e remove vitalidade. Por isso nos eclipses solares, quando a influencia lunar é mais forte no individuo, o bloqueio da energia vital é muito forte estando associado a um enfraquecimento da força vital. Uma vez que o eclipse solar é uma conjunção entre o Sol e a Lua com as particularidades já descritas anteriormente, trata-se de um inicio de ciclo em que para que possamos realmente começar há que primeiro perder… Somos forçados a lidar com a força do passado, com as partes de nós que por norma não temos consciência para que possamos existir de outra forma, mais autêntica. Uma vez que este eclipse solar foi precedido por um eclipse lunar (no dia 7 de agosto em aquário – ler o artigo Lua Cheia em Aquário), tivemos a oportunidade para libertar padrões e velhas formas de Ser para agora começar de novo, com uma nova Consciência.

Relembrando, os eclipses sintetizam as energias que operam no individuo e no colectivo entre aquilo que são os seus instintos e natureza inferior, e aquilo que é Consciência adquirida, Luz e Iluminação, para que o processo possa ser continuamente reavaliado e o homem possa evoluir a partir do ponto em que se encontra. Os efeitos negativos ou positivos de um eclipse são nada mais que as manifestações dessa síntese individual e colectiva.

Ao nível pessoal, cada um deve procurar reflectir acerca destas necessidades. Numa análise mais focada no seu mapa cada um pode procurar em que eixo de casas ocorre o eclipse e se existe contacto por conjunção, oposição ou quadratura com planetas natais ou eixos do mapa (isso intensifica o efeito). Os planetas que recebem o eclipse manifestam a energia ainda instintiva porque é a energia do Sol que se eclipsa. São-nos revelados padrões e reacções que ainda nos fazem perder o controlo consciente da energia representada pelo signo e planeta que recebe o eclipse. Nessa temática somos convidados a começar de novo na forma como integramos os seus princípios. Emergem os problemas que interferem na correcta aplicação da energia, e com isso emerge igualmente um grande potencial revelador e de transformação.

Recomendo a consulta do artigo publicado em Julho acerca de primeira Lua Nova em Leão deste ano que ocorreu no dia 23 desse mês, para aprofundar e acrescentar significado a esta simbologia.

 

 A reflexão acerca do eclipse solar em Leão através do mapa de Donald Trump

E é tão tentador falar acerca da relação que este eclipse (e mesmo o anterior) tem com o mapa de Donald Trump que acredito que poucos sejam os astrólogos que não tivessem efectuado alguma análise ou reflexão acerca do assunto.

Os eclipses são eventos que provocam grande impacto na evolução da Humanidade, por isso trabalham a energia colectiva de forma significativa com vista a produzir perdas e transformações que permitam uma “limpeza” energética. Tendo em conta que as responsabilidades de Donald Trump para com o colectivo são enormes, é natural que a análise do seu mapa individual com relação a este evento tenha um interesse colectivo, mesmo que disso o próprio não tenha (nem nós tenhamos) consciência.

O eclipse solar total ocorre na Casa XII e faz conjunção ao Asc a 29º52’ de Leão e a Marte a 26º47’ em Leão (na XII). Isto aponta para a necessidade de transformação no que respeita à suas atitudes e iniciativas, a falta de Consciência com relação aos seus impulsos e atitudes egocêntricas. Como se se “eclipsasse” essa capacidade de agir e a energia deixasse de fluir. Quando pretendemos fazer uma síntese entre as motivações da personalidade e da Alma, as atitudes, a forma como definimos os nossos objectivos e aquilo pelo qual lutamos, eclipsa-se o que não É. Se o que temos que perder for muito, então, nesse caso, perdemos energia, capacidade de decisão, de iniciativa, autonomia. Agir como se fossemos uma ilha, por impulso ao que é apenas importante para nós, como se tudo fosse um atentado ao nosso orgulho, de forma dramática e sem capacidade de compreender as consequências que isso terá para os outros, é bem diferente de agir com amor-sabedoria (a energia de 2º raio do signo de Leão através do Sol) liderando o colectivo no caminho da Luz, servindo como exemplo. Como Marte na XII o individuo não consciente julga estar permanentemente a combater “inimigos ocultos” que são senão a manifestação do seu próprio inconsciente profundamente negado e de difícil acesso à Consciência. Como lidar de forma diferente perante assuntos que transcendem a sua esfera de controle e que forçam o próprio a refrear decisões que ao invés de beneficiar o colectivo prejudicam-no. Pelo facto de ser uma conjunção trata-se sempre de um contacto forte, mas este assume maior importância porque, para além do eclipse ter impacto sobre os eixos do seu mapa (conjunção ao Asc/Dsc, quadratura ao FC/MC), Marte em Leão rege o FC em Escorpião. O facto do eclipse ter impacto em todos os eixos do seu mapa revela a intensidade que o processo tem em toda a estrutura do seu ser (mesmo que isso não seja do conhecimento público). O FC remete para os contextos familiares (pessoais), e para as fundações psicológicas e emocionais do individuo, mas é igualmente representante da família enquanto pátria, nação.

Marte rege igualmente a casa IX em Carneiro interferindo com a sua imagem internacional, com a sua capacidade de afirmação perante o resto do mundo, perante as leis e a justiça.

Em simultâneo, Saturno em transito a 21º de Sagitário na casa IV faz conjunção exacta à sua Lua natal em Sagitário e oposição (1º orbe) ao seu Nodo Norte e ao Sol em Gémeos, ambos na casa X, sendo que o Sol é regente do mapa e de Marte em Leão que recebe a conjunção do eclipse. Under pressure… Saturno remete para a necessidade de amadurecimento e uma actualização no tempo no que se refere aos seus apegos e fanatismos religiosos, étnicos ou filosóficos, e a um sentimento de engrandecimento excessivo. Como a Lua representa as “massas”, a passagem de Saturno pode representar as limitações individuais em conseguir gerir os problemas da sua “casa” (país), a uma maior pressão por parte do povo sendo forçado a compreender os seus próprios limites e limitações individuais no que respeita à capacidade de diálogo e de verdadeira vontade de contribuir para o bem do colectivo (Sol e Nodo Norte em Gémeos na Casa X). Portanto Saturno acrescenta à simbologia de Marte com relação ao FC.

Plutão em transito a 17º de Capricórnio na casa V faz quadratura exacta a Júpiter em Balança na casa II e quincuncio a Úrano em Gémeos na casa X. A quadratura a Júpiter intensifica os processos de Plutão na V já que Júpiter é regente da Casa V (que abre com Sagitário). Isto intensifica os conflictos étnicos e religiosos de que já tanto nos habituou, mas traz igualmente ao de cima o lado mais negativo da sua visão materialista presente na expansão das relações que trazem apenas vantagens economicistas e exige profunda transformação desses princípios sob pena de se destruir (e ao resto do mundo). Pede uma reestruturação com relação à sua noção de justiça e diplomacia.

(muito mais há a explorar acerca destes trânsitos pelo que, quem assim desejar, poderá contribuir para a ampliação da sua análise).

Por se tratar do Sol que se eclipsa, em Leão, torna-se essencial perder excessos de zelo pelo nosso “pequeno eu” e permitirmo-nos sentir para lá do nosso orgulho e excesso de importância individual. Tendo em conta a energia manifestada pela pessoa em análise, é necessário um grande acto de heroísmo (Leão) admitir e reflectir sobre tantos padrões comportamentais, aceitar perder tanto de si para poder começar de novo. E será que o mesmo não se passará em cada um de nós?

É muito importante não perdermos enquadramento com relação a estes acontecimentos astrológicos, e compreendê-los como ligados entre si, a compor partes de uma mesma sinfonia. Este (e o anterior) eclipse, intensificam as energias deste mês de Agosto uma vez que remete para a necessidade de Existirmos de forma mais Honesta e conseguirmos contribuir para um mundo melhor. Um dos principais eventos astrológicos deste mês de Agosto é o inicio do movimento retrógrado de Úrano a 3 de Agosto. Uma vez que Úrano rege o principio oposto e complementar de Leão (por ser regente de Aquário), e à semelhança da análise para a Lua Nova em Leão do dia 23 de Julho, o movimento retrógrado de Úrano tem grande influência neste temática do eclipse (consultar “Agosto Astrológico”). Durante a análise dos trânsitos planetários reflectiamos desta forma com relação ao movimento de Úrano:

«Durante este período revemos aquilo que para nós era importante mudar e reavaliamos o nosso conceito de Liberdade. Eventualmente, as condições externas não favorecem a liberdade de expressão e precisamos de encontrar formas mais inteligentes de nos afirmarmos que não sejam agressivas e intempestivas. Ao nível social e colectivo, o principio de Úrano representa as ideologias que formam uma sociedade e relacionam os indivíduos entre si para que funcionem como um grupo, como uma identidade colectiva. O movimento retrógrado propõe a revisão das ideologias de uma nação, o que significa vivermos realmente em democracia por exemplo, e como precisamos de rever a forma como essas ideologias e princípios são aplicados ao bem comum. (…) Influencia esta temática a energia de Marte em Leão durante este mês de Agosto uma vez que é regente de Úrano retrógrado em Carneiro. O posicionamento de Marte remete para a forma como lutamos por essa Liberdade, o que nos motiva, favorece e condiciona a nossa afirmação pessoal. Mas também o que precisa de ser descondicionado. (…) A temática da liderança é algo que será certamente bastante importante na vida de Donald Trump e em especial no exercício de funções como presidente dos Estados Unidos da América (cujo mapa natal tem Ascendente em Leão). O movimento retrógrado pode forçar a revisão de assuntos do passado que lançavam dúvidas com relação à clareza e legitimidade do seu processo de eleição, questionando novamente o seu direito a ser líder das ideologias democráticas do seu país e o impacto que têm sobre o resto do mundo.» (https://ascendentt.wordpress.com/2017/08/02/2214/).

Com o movimento retrógrado parece que voltámos ao passado conforme pudemos constatar através dos acontecimentos em Charlottesville (no dia 12 de Agosto), com manifestações de racismo e com princípios ideológicos “retrógrados”. Somos forçados a Re-mexer em assuntos aparentemente controlados e sanados. O movimento retrógrado permite-nos perceber o que ainda não está resolvido numa sociedade supostamente democrática, num mundo supostamente Livre.

Mais do que sermos apenas espectadores das suas “Trampas”, estes eventos e acontecimentos são apenas um exemplo (entre tantos) da necessidade de reflectir, enquanto Humanidade, no nosso sentido de Liberdade e onde, em cada um de nós, existe um “movimento retrógrado” nesse sentido. Esta relação entre Úrano e Sol, Aquário e Leão, tornam este eclipse (e o anterior com a Lua Cheia em Aquário) tão importante com relação à necessidade de melhorarmos significativamente enquanto indivíduos ao mesmo tempo que nos vamos indignando enquanto sociedade… enquanto indivíduos… que vamos conseguindo sintetizar estas duas realidades e Unificar aquilo que somos com aquilo que (ainda) não somos… enquanto indivíduos… enquanto sociedade…

Que se eclipsem as pequenas vontades dos homens, e que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano na Terra (A Grande Invocação)

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Lua Cheia com eclipse lunar parcial

7 de Agosto de 2017 | 15º de Aquário

Começo esta reflexão por esta idéia: somos um bicho d’hábitos! Meu Deus, e como somos… por isso temos que passar permanentemente por processos de Desaprendizagem. Desaprender automatismos, desaprender, desaprender, desaprender, até que… não existe mais nada… e tudo Existe. A isso chama-se vulgarmente, e de forma tão repetitiva hoje em dia que até já se tornou um hábito!, de Consciência. Ou, em astrologia, significa passar da Lua para o Sol. E diariamente andamos nesta “dança e contradança” com o ciclo de lunação. E para que despertemos deste automatismo existencial, inclusivamente no que respeita à leitura destes textos, é importante relembrar que aquilo que mais importa, a única aliás, é que tudo isto que aqui se escreve e lê apenas serve se for para ajudar a Desaprender e a Construir um pouco mais de Consciência.

E quando temos uma lua cheia com eclipse lunar, desaprender é essencial…

Com este pico de ciclo lunar em Leão, reflectimos acerca das formas de viver a vida na nossa mente que necessitam de ser transmutadas para que o nosso Coração possa abrir. Sentir onde nos encontramos divididos e fragmentados, onde sentimos que a vida foge, corre e como nos sentimos neste mundo. A força dos eclipses permite o aprofundamento de padrões e energias das quais frequentemente não temos Consciência. Este ciclo é particularmente forte tendo em conta que Úrano (regente da Lua em Aquário) encontra-se retrógrado (consultar “Agosto Astrológico 2017“). Na análise da lua nova deste ciclo (ler o texto integral aqui) referia o seguinte:

«E é, quando essa Autenticidade é real, que existe em nós um brilho natural que tudo ilumina. Esse Brilho é o da Luz da Consciência que representa, no fundo, Amor. Ao lançarmos Luz sobre o nosso lado lunar (o processo desenvolvido no signo anterior), a todas as partes que ainda necessitam do nosso cuidado, estamos a desenvolver Consciência. Sabemos que, para sabermos quem Somos, precisamos dessa Honestidade e desse Amor porque ao longo do processo de nos auto-descobrirmos iremos com certeza ver em nós aspectos dos quais não temos assim tanto orgulho. Com esta Vontade de ir além dos padrões e instintos estamos a Criar novas formas de Ser. Que lugar extraordinário o mundo seria (para além do que já é, claro) se cada um de nós fosse Leal e Honesto neste processo. Estaríamos na presença da verdadeira sociedade Aquariana, representada pelo signo oposto e complementar a Leão – Aquário – que representa o Servidor do Mundo.»

Esta Lua Cheia em Aquário com eclipse lunar parcial é o momento em que podemos reflectir de forma mais objectiva, com maior clareza, sobre a nossa necessidade de Honestidade sobre a oposição entre aquilo que verdadeiramente desejamos Ser e aquilo que ainda sentimos desviar-nos dessa Consciência. Como Sou e como isso se reflecte perante os outros. São processos intensos e extremamente transformadores pelo potencial de revelação. Reflectimos fortemente acerca do passado e de como projectámos para o futuro. E principalmente como esse futuro parece já não ser tão actual perante a nossa Vontade presente.
Portanto, temos uma lua cheia acompanhada de um eclipse lunar parcial e com Úrano retrógrado. Trata-se de uma forte reviravolta existencial, critica na vida de muitos, principalmente nos que possuem planetas e eixos do mapa até 2º de orbe do eclipse nos signos de Touro, Leão, Escorpião e Aquário. Teremos que lidar com fortes paradigmas existenciais (individuais e colectivos) que não reflectem a Liberdade de Expressão Individual e, fundamentalmente, não reflectem o que de melhor existe nos nossos Corações. Trata-se, de uma forma geral, de questionarmos os nossos padrões e automatismos enquanto sociedade, e como nos sentimos reflectidos por essa identidade colectiva. Honestamente, se alguma “coisa” no sistema tem que eclipsar este é o momento ideal… Com esta energia podemos fazer a ponte entre a nossa Criatividade e formas mais Livres de servir os outros e o colectivo, de contribuir para um grupo, sistema ou associação que melhor reflicta esta nova Consciência. Onde e de que forma temos que acordar e parar de seguir um caminho adormecido e sem verdadeiro futuro… Trata-se de pôr fim a formas de pensar fora de tempo, com as quais não existe mais Identificação e, principalmente, não existe Amor. Desaprender, para Ser sem hábitos, e só assim poder Ligar-me a tudo o resto, de forma diferente, mais Autentica, Real.
 

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