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Archive for the ‘2012’ Category

A MORTE CHEGA CEDO

A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida. 


O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.

E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto.

Fernando Pessoa, in ‘Cancioneiro’

O fim da vitalidade das formas é o anunciar do nascimento de algo novo. Finda-se aquilo que parecia perene porque apenas a Alma é eterna e o veículo é perecível. Mudam-se as formas para que a Alma possa expressar-se livremente.

Eclipsam-se as falsas seguranças, as âncoras e o lodo que puxam o barco para o fundo. Mas para remover o peso é preciso ir ao fundo. E por muito que o medo nos iniba de lá ir, a podridão das águas estagnadas é de tal forma debilitante que a Alma, o principal passageiro deste “barco”, é Vontade Maior para o mergulho profundo. Durante o mergulho vamos sentir falta de ar, querer desistir, vamos tentar controlar a situação para evitar descer mais e mais e mais…

É fundamental continuar para poder sair da estagnação, para recordar o que em nós está adormecido, esquecido – a Divindade.

Que áreas da nossa Vida estão sem vitalidade?

O que precisamos de fazer circular para criarmos um novo inicio?

Com o inicio há sempre a promessa de algo melhor. É o encontro com o que escondíamos da superfície, limpeza dos complexos, tabus, medos, obsessões, compulsões  … porque no fundo das águas encontram-se grandes tesouros!

Morre a forma sem Essência, renasce-se com uma nova Essência formada.

© Ana Paula Pestana, All Rights Reserved | ap_pestana@hotmail.com

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Saturno define os limites em função do nível de Consciência. Ele marca a experiência e as aprendizagens pelas quais devemos passar e confronta-nos com as consequências das nossas escolhas. Com o passar do tempo, Saturno torna-nos sábios, seres responsáveis pela encarnação. Nos tempos antigos os mestres usavam Chumbo (Saturno) para ser transformado em Ouro. Da mesma forma, na nossa Vida, é através das experiências que nos fazem sair da zona de conforto que descobrimos o melhor em nós, o nosso Ouro, a nossa Consciência. A Consciência não é algo que se lê em livros, é algo que se Vive. E é ao integrarmos a experiência que avançamos mais um anel nos limites de Saturno.

Em fins de Outubro de 2009 Saturno ingressou em Balança onde permaneceu até 5 de Outubro de 2012. Enquanto aqui esteve Saturno significou:

Responsabilidade pelos compromissos e escolhas que fazemos.

Responsabilidade pelas projeções equívocas que fazemos sobre os outros.

Responsabilidade pelas experiências que advêm dos relacionamentos. Tudo o que nos é devolvido em espelho pelo outro representa o nosso lado inconsciente, aquilo que em nós estava oculto. No jogo dos espelhos, a imagem será mais nítida quanto melhor for a capacidade do próprio aceitar o que o outro lhe devolve pois essa é a forma de ganhar consciência de si mesmo. Perceber que a relação com os outros reflete o próprio. Se ao contrário projetarmos, partimos espelhos. Amarás o teu próximo como a ti mesmo, logo, a qualidade do Amor nos relacionamentos define o Amor que o Individuo tem por si próprio. E se o Homem foi feito à imagem e semelhança do seu Criador, para encontrar Deus o Homem precisa de se reconhecer no espelho, e no espelho ele vê o seu semelhante.

 Purificação através do Amor pelo próximo.

Desenvolvimento da Sabedoria nos relacionamentos.

Equilíbrio das Responsabilidades, da Ambição, Construção da Justiça.

A Iniciação no processo da Consciência, porque Deus manifesta-se através das corretas relações Humanas (Mestre Djwhal Khul). Uma vez que Saturno rege o Antakarana (do Sânscrito – ponte do arco-íris) situado ao nível do chakra do Coração, ele torna a consciência cerebral do discípulo recetiva à orientação intuitiva e às impressões oriundas dos reinos espirituais superiores e da mente de Deus. Utiliza a substância mental para construir uma ponte entre a personalidade e a Alma através da energia do Amor. E o Homem ganha essa consciência através do relacionamento com o seu semelhante (progredindo de Vénus para Neptuno, da dualidade para a Unidade).

“Devemos exigir dos outros apenas aquilo que eles nos podem dar” (Saint Exupéry) caso contrário não estou a VER o outro, mas sim a projeção de mim próprio.

Em Escorpião enfrentamos o portal do 4º raio (o processo de Alquimia contém em si 4 fases), que representa a Harmonia através do Conflito, onde a personalidade enfrenta a batalha com as suas ilusões (Maya). A batalha será tanto mais intensa quanto mais visceral e instintiva for a nossa ligação aos “objetos” exteriores de segurança. Ao ingressar no signo de Escorpião, Saturno leva-nos a uma experiência profunda. Traz-nos a privação da satisfação emocional que está polarizada com a obtenção daquilo que desejamos, quando aquilo que desejamos já não contribui para a nossa evolução. É um mergulhar na Sombra, naquilo que está oculto da Consciência.

Então, com Saturno em Escorpião devemos perguntar-nos:

O que é que temos que perder, abdicar, largar?

O que é que tem que circular nas nossas vidas para que se possa criar espaço para construir algo novo? 

O medo de perder poder poderá, numa primeira fase, exacerbar os conflitos pessoais e o sentimento de opressão social e politica. Mas não são apenas as altas estruturas de poder organizado que precisam de ser transformadas. No fundo os modelos de autoridade social e política refletem os modelos que existem dentro de nós (porque a sociedade é feita por indivíduos). Medo de perdermos o pai politico, aquele que nos garantia a segurança e que nos trazia o conforto de sermos “geridos” por alguém exterior a nós mesmos.

Depois de assumirmos a nossa responsabilidade nas relações (Saturno em Balança) é altura de sermos responsáveis pela transformação dos reflexos, distorções e espelhos partidos que criámos enquanto indivíduos.

Saturno, conhecido como o Senhor do Umbral, aquele que nos coloca no processo de purificação (purgação) pede-nos:

Responsabilidade pelos nossos medos e sombras.

Morte e transformação das velhas estruturas de poder e segurança, dos velhos modelos de autoridade.

Redefinição dos limites em relação à forma como usamos o poder (usá-lo com Sabedoria).

Curar o passado, a sociedade.

Redefinição do conceito de Sucesso.

Saturno (o Chumbo) em Escorpião (o processo de transformação) é a oportunidade de nos transformarmos em Alquimistas. É a União com o Espírito, a transformação em corpos de Luz, a descoberta do Ouro Interno (o Sol). A transformação de algo mais denso num material mais refinado, subtil e precioso. Mas para obtermos a Pedra Filosofal, a Sabedoria, é preciso enfrentar os esqueletos no armário, aquilo que nem às paredes confesso, as estruturas que construímos e que nos traziam “segurança”, as camadas e camadas que depositámos sobre os nossos corpos (e vida) e que nos tornaram opacos, densos e pesados.  Senti-mo-nos Velhos ou Sábios? Cansados ou Experientes?

A receção mútua entre Saturno em Escorpião e Plutão em Capricórnio torna o processo mais intenso e inevitável. Intensificar-se-á o desagrado relativamente à estrutura social vigente e a podridão social e governamental será exposta. A resistência à mudança (com o aumento do uso do poder para evitar o inevitável) vai provavelmente aumentar o conflito e a insatisfação geral. A transformação de uma estrutura tão pesada leva o seu Tempo!

Se Capricórnio é o portal dos Deuses, Caranguejo é o portal do Homem através do qual a Alma desce à Terra (Alice Bailey). Ao mergulhar no Caranguejo o Individuo volta às fundações, por onde a Alma encarnou (por isso a Lua simboliza o vazio a ser preenchido pela Alma). Deveremos colocar a seguinte questão:

Que montanha foi essa que escalámos e com a qual já não nos identificamos?

É o tempo em que caímos da montanha abaixo. Neptuno rege esotericamente o Caranguejo, o que significa que é preciso transcender as necessidades egocêntricas (as que vêm do umbigo) e estarmos conscientes daquilo que é verdadeiramente nutridor. Ao dissolvermos essas barreiras pessoais, os objetivos e a montanha que escalamos é fundada (Caranguejo) em princípios Universais, Amor Universal. Por isso, depois de bem entendida a ligação entre a terra e o céu, a Alma pode ascender novamente através do Capricórnio onde está preparada para servir o coletivo e formar uma sociedade justa.

A reestruturação da sociedade (Plutão em Capricórnio) deverá ser fundada em princípios de Justiça, de Amor, de Compaixão (Saturno trígono a Neptuno em Peixes). O que assim não for virá à superfície (o lixo politico e social que temos vindo a assistir) para ser denunciado, visível, e integrado na consciência pessoal e social (Plutão e Saturno em receção mútua). Baseado nessa regeneração e integração, estamos preparados para iniciar algo novo, com novos objetivos, pioneiros (Úrano em Carneiro) e devotos a uma causa Humanitária onde cada individuo é Livre e Consciente do seu semelhante.

Estes são tempos bastante exigentes já que existem fortes energias no signo de Escorpião que puxam a Humanidade para a transformação: Saturno em Escorpião (de Outubro de 2012 a Setembro de 2015), Eclipse Solar total no grau 21 de Escorpião (13 de Novembro de 2012) e o Nódulo Norte da Lua também a passar em Escorpião (de 31 de Agosto de 2012 até Fevereiro de 2014).

Para quem tem energias em Touro, Leão, Escorpião e/ou Aquário sentirá com maior intensidade esta temática ligada aos trânsitos de Saturno em Escorpião.

© Ana Paula Pestana, All Rights Reserved | ap_pestana@hotmail.com

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Trânsito de Neptuno em Peixes

Inspiração ou Ilusão? Transcendência ou Utopia? Sacrifício ou Martírio? Qualquer uma destas hipóteses pode surgir durante a influência de Neptuno. O que me parece importante é perguntarmo-nos o quão sintonizadas estão as nossas antenas cósmicas? Estaremos envolvidos pelas águas que diluem ou pelas que beatificam (Águas de Compaixão, de Amor e de Paz)? Por estar filtrado pelo seu próprio signo a sua manifestação energética é mais forte e mais pura mas a qualidade da sua expressão nas nossas vidas estará dependente de quão afinados estamos com a Consciência Divina. Para que possamos estar em União nessa Consciência, as arestas da personalidade que impedem a Identificação com a Essência Universal precisam ser diluídas. Neptuno dissolve para poder unir. Com este seu posicionamento, a União é através da Alma, através do Sentir porque a Alma não pensa. Com isto não quero dizer que com Neptuno em Peixes tenhamos que parar de pensar. Significa que o pensamento deverá estar ao serviço como o veículo que dá expressão prática à energia do Amor (ou não seria Virgem o signo oposto ao de Peixes). Desde os tempos antigos que o peixe é um símbolo daqueles que partilham os princípios da fé Cristã (sem conotações religiosas). E por isso, Jesus e os seus discípulos eram pescadores. Simbolicamente, através da fé, pescavam os Homens para as Águas Sagradas. Para podermos gerar esse Amor em nós é importante purificarmos a nossa condição, para que o Veículo possa albergar a Essência. Por isso (e muito mais motivos) podemos ver essa expressão simbólica dos Peixes no signo da Virgem: 

Para todos, sem exceção (e em particular para quem tiver energias em Peixes), Neptuno em Peixes apela fortemente à dissolvição de limites sem que percamos o nosso centro. Caso contrário, ficaremos confusos, desiludidos, intoxicados, perdidos se não colocarmos a nossa mente discriminativa ao nosso serviço: separar o trigo do joio, libertarmo-nos daquilo que não mais nos deixa evoluir, de todas as camadas que nos separam do Amor e lidar com a Vida a partir do Centro da Vontade de Deus.

Mas não é possível ver através de Neptuno com as lentes da personalidade (é preciso contornar o “Bojador”). É importante transcender essa condição, e é por isso, que quando o fazemos, conseguimos Amar Incondicionalmente (sem condições!). A focagem pela energia Neptuniana apenas é possível com a 3ª visão, a lente da Alma, fora da polarização, enfocados no vértice superior do Triângulo (o Homem de Vitrúvio de Leonardo Da Vinci). Aquela lente que nos permite ver no interior das águas sem corrermos o risco de deformar a imagem e de nos perdermos nas ilusões das formas.

E é claro que, para Portugal, esta entrada de Neptuno no signo do qual é regente é especial, ou não fossemos nós Peixes. Este sentido de Absoluto, que em outros e tão atuais tempos tentámos alcançar e conquistar, está mesmo aqui dentro de nós. A procura não está mais no exterior.

Durante 15 anos Neptuno em Peixes é Rei. Ele não garante a Iluminação, apenas teremos a promessa de refinamento. E no fim de tantos choros e rezas veremos que “tudo vale a pena” porque “a Alma não é pequena”. O salto para as águas de Neptuno em Peixes é um Salto no Silêncio, uma dádiva dos Céus para que possamos ouvir apenas aquilo que é importante. E no Silêncio, ouvimos a voz de Deus…

Neptuno voltará a fazer sêxtil a Plutão em Capricórnio entre 2014 e 2023 (sem nunca fazer aspeto exato pela retrogradação de Neptuno). É a oportunidade para que a personalidade possa renascer para o Espirito, já que Neptuno estará em aspeto harmonioso com o regente esotérico de Peixes (Plutão). Mas para isso terá que ter passado primeiro pelo processo de refinamento com Alma. O primeiro salto da personalidade dá-se em Escorpião cujo papel de Plutão é o renascimento que nos amplia a condição inicial, que nos mostra a Verdade e nos aponta o Caminho (Sagitário). Depois de percorrido o Caminho, Plutão, como regente esotérico de Peixes, é o renascimento para o Espirito, a União com o Pai. Portanto, são tempos únicos, maravilhosos, já que Plutão está em Capricórnio, que simboliza a Iniciação do Discípulo. Em 2013 Saturno em Escorpião, estará em sêxtil com Plutão e trígono a Neptuno pedindo a materialização e a cristalização da Iniciação que nos vincula ao Amor de Cristo através da aceitação do processo de regeneração. Saturno marca o tempo e estes são Tempos de Transformação através da via do Amor.

É Tempo de Navegar… Mas de olhos abertos para que possamos Ver quando chegarmos à Casa do Pai.

Assim Seja!

MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quiser passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

(Fernando Pessoa)

 

 

© Ana Paula Pestana, All Rights Reserved | ap_pestana@hotmail.com

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