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Archive for the ‘StarChannel’ Category

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Mercúrio é frequentemente reduzido a um planeta que representa o nosso plano mental, a nossa mente inferior e factual, e esse preconceito com relação a Mercúrio impede a compreensão do verdadeiro potencial  de Consciência que este planeta encerra.

Como representante da energia de 4º raio, Harmonia através do Conflicto, Mercúrio permite-nos analisar a dualidade ainda presente na nossa compreensão do mundo e de nós mesmos, estabelecer a comunicação entre as intenções da Alma e da Personalidade, bem como permitir o diálogo que tem como objectivo a resolução do conflicto entre ambas as dimensões do nosso Ser. Mitologicamente, Mercúrio é representado por Hermes o mensageiro grego que com asas nos seus pés viajava entre mundos, permitindo a circulação de informação entre o Céu e o Inferno, testemunhando o conflicto que ambos os mundos reflectiam e manifestavam sobre a vida na Terra (e sobre o Homem). No mundo físico, na esfera mundana, ele torna-se igualmente essencial na mente do homem que procura entender-se com o seu semelhante, alimentando ou resolvendo os conflictos que emergem entre as pequenas vontades dos homens. Na melhor das suas hipóteses, na mente do homem que está espiritualmente receptivo, Mercúrio pode favorecer a captação das mensagens dos planos mais subtis e funcionar como verdadeiro mensageiro dos deuses estabelecendo a comunicação entre as ideias criativas e o mundo da matéria, aquele que permite a informação e o entendimento que conduz à Harmonia. É a purificação dos corpos inferiores do homem  que permite que a função de Mercúrio seja uma de harmonização e não de produção de conficto por intermédio dos pensamentos. Esta ferramenta de purificação é-nos dada , em parte, através da sua acção no signo de Virgem, a mente usada como veículo de auto-análise e aperfeiçoamento individual.

Sendo regente esotérico de Carneiro, Mercúrio relaciona-se com a Lei, “A Energia segue o Pensamento“. Toda a energia manifestada teve primeiro origem no nosso pensamento, tudo é energia em níveis de densidade diferentes, matéria é igual a Luz no seu estado condensado. Daí que ao mudar o pensamento, mudamos as formas em que construímos na nossa vida.

Através do signo de Carneiro fluem as energias de 1º raio, Vontade ou Poder, e de 7º raio, Ordem Cerimonial. A intenção deste signo é abrir Caminho para que as intenções Divinas possam descer à Matéria, um Caminho que pretende ser a manifestação da Ordem.

Termos a capacidade de expressar as intenções de Mercúrio em Carneiro significa que, ao nível da personalidade, existe em nós um controlo do impulso egocêntrico, e predomina a mente criativa que pretende aplicar o Poder da Vontade para que as grandes ideias possam descer à matéria (os chifres voltados para baixo) e possam beneficiar o colectivo.

Torna-se fundamental compreender esta simbologia de Mercúrio antes de falarmos sobre as intenções, dificuldades e oportunidades presentes através do seu movimento retrógrado pelo signo de Carneiro porque, como bem sabemos, tudo são potencialidades.

Foram já igualmente desenvolvidas algumas considerações acerca da simbologia do movimento retrógrado, que podem ser Re-vistas no artigo Abril Astrológico 2017.

Este movimento de Mercúrio em Carneiro parece ser uma excelente oportunidade para actualizar as energias que desejamos ver manifestas. Enquanto que Marte (regente deste Mercúrio) transita por Capricórnio e força-nos a agir de forma realista, e a lidar com todas as dificuldades sem fuga possível, a nossa mente (Mercúrio) procura por entre o pensamento activo por algo novo que nos permita libertar do passado. Na verdade, durante este movimento retrógrado parece estar “retida” a Re-flectir em novas ideias e em analisar aquilo que, talvez, tenha corrido menos bem com relação aos nossos objectivos profissionais, relações de autoridade, e às nossas ambições materiais. Esta relação entre Marte e Mercúrio acentua a simbologia da energia, acrescentando à comunicação tanto a determinação como um impulso que é de conflicto, ou mesmo de agressividade. Para melhor integrar este movimento de Mercúrio retrógrado em Carneiro, consultar o artigo acerca do ingresso de Marte em Capricórnio.

Temos a oportunidade para repensamos na forma como usamos a nossa força individual, que batalhas temos estado a travar, quais as lutas que alimentamos e porquê? Repensamos a Origem de todas as formas presentes na nossa vida. Podemos rever quanto dos nossos pensamentos geram novos caminhos ou promovem o individualismo e semeiam o conflicto.  Assuntos do passado regressam ao presente permitindo re-iniciar antigas ideias, bem como rever atitudes e comportamentos. Torna-se importante Re-analisar as nossas ambições, força de afirmação pessoal, desejo de controle e impulsos de raiva se desejamos verdadeiramente compreender os conflictos que daí emergem, bem como Re-flectir acerca da nossa coragem para tomar determinadas decisões através de uma mente ampla, honesta e forte.

De 3 a 7 de AbrilMercúrio retrógrado a 8º de Carneiro faz quadratura a Saturno a 8º de Capricórnio. Este contacto acentua as características inerentes ao movimento retrógrado. As dificuldades bloqueiam a materialização das nossas ideias e pensamentos forçando-nos a rever as nossas barreiras mentais e intelectuais, bem como as nossas defesas comunicacionais. Somos estimulados a repensar acerca de velhos problemas revendo as nossas limitações acerca da capacidade de pensar sobre os conflictos. Quão prisioneiros somos da nossa intelectualização? Rever a forma como analisamos esses mesmos problemas e repensar quão livre e inocente é a nossa mente. Para alguns casos, talvez se trate de dar tempo ao tempo para amadurecer as ideias, não forçar a tomada de decisões baseada no impulso de afirmação pessoal sem antes dedicar tempo suficiente a analisar os problemas de forma responsável. De uma forma geral, existe uma conotação negativa associada ao movimento retrógrado, bem como aos contactos dificieis de Saturno. A verdade é que toda e qualquer limitação, reveses, entorpecimento, bloqueio, atraso que se faça sentir na nossa vida mundana, corresponde a um reflexo de processos internos que precisam, exactamente, de ser Re-vistos. A desordem externa vai exigir mais de nós, no sentido em que teremos que fazer um Re-set e aprender a começar de novo com relação a determinados aspectos da nossa vida.

Apesar de todos estarmos sobre a influência destes trânsitos de Mercúrio, podemos dizer que os mesmos afectam particularmente as pessoas que têm energias (planetas ou eixos) no signo de Gémeos, Virgem e, no meu entender, em menor grau no eixo mutável. Considero que a forma de controlarmos a volatilidade resultante da energia de Mercúrio está presente na capacidade de conseguirmos manter a análise e a observação dos acontecimentos a partir de um centro inteligente que procura reconhecer os processos e não está focado e identificado apenas com as suas causas. Isto irá ajudar a que o movimento retrógrado seja um de aprofundamento. Que possamos estar correctamente alinhados com o propósito maior destas energias e permitir o aprofundamento do nosso plano mental na vida do espírito para que a nossa comunicação com o plano Divino seja clarificada e Re-estabelecida.

Que este movimento retrógrado de Mercúrio em Carneiro seja um bom Re-gresso à Origem.

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© Ana Paula Pestana, All Rights Reserved | ap_pestana@hotmail.com

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Marte ingressa em Capricórnio no dia 17 de Março onde permanece até 16 de Maio.

Na astrologia esotérica diz-se que o Carneiro culmina no signo de Capricórnio. O impulso amadurece e a força é aplicada com o objectivo de permitir a manifestação da Ordem na Terra. O Carneiro com os chifres para baixo em direcção à Terra, transforma-se eventualmente na Cabra com os chifres apontados para o Céu e onde os dois fundem-se num, o símbolo do Unicórnio. A energia que inicia a manifestação é aplicada para o bem colectivo, e conta com a Disciplina, Rigor e Determinação de um verdadeiro Discipulo e Iniciado. Através da superação das suas batalhas individuais, com a aprendizagem através do esforço, ele está pronto para se transformar num Servidor do Mundo. Até conseguirmos culminar nesta forma de Consciência, teremos que estar disponíveis para passar por muitas transformações pessoais.

Por isso, talvez, seja importante começar por compreender que este trânsito, no seu melhor, promove a disciplina e a coragem para enfrentar as dificuldades e agir com a responsabilidade de quem está determinado a alcançar o melhor de si mesmo. Pretende uma atitude extremamente realista, objectiva, pragmática, com forte sentido de direcção e determinação. Positivamente, se pretendiamos introduzir alguma Ordem nas nossas vidas, podemos alinhar as nossas intenções com este trânsito e fazer o melhor proveito do impulso. Podemos encontrar neste alinhamento o Tempo certo para tomar decisões que permitam a conclusão de projectos, uma oportunidade para concentrar esforços e com coragem enfrentar os testes e desafios na nossa vida, agindo com responsabilidade pelas escolhas que optamos por fazer.

Este movimento planetário tem a particularidade de Saturno encontrar-se em domicilio, dispondo Marte no signo da sua exaltação (Capricórnio) intensificando a sua simbologia e intenções. Durante este movimento, Marte faz conjunção a Saturno entre os dias 29 de Março e 6 de Abril (entre os 6 e os 11 graus, sendo o aspecto exacto a 2 de Abril) e a Plutão entre os dias 22 e 30 de Abril (entre os 19 e os 23 graus, sendo o aspecto exacto a 26 de Abril). Saturno “encosta-nos” à parede permitindo pouco espaço para fugir às responsabilidades. Se estivermos disponíveis para integrar os princípios atrás descritos temos aqui a oportunidade de agir de forma honesta face às circunstâncias, lidando com os problemas na linha da frente e, à passagem de Plutão absorver a força e o poder para implementar as reformas necessárias. No mínimo, apercebemo-nos dos limites da nossa força individual e quanto da nossa energia pessoal e dos nossos objectivos individuais carece de alguma dose de consciência colectiva e social.

Pela negativa, ao nível da personalidade, este ingresso de Marte em Capricórnio é a intensificação das lutas pela ambição material, pela conquista de Poder e necessidade de controle. Tradicionalmente considerado um signo frio, sem a energia do Amor, este movimento de Marte pode permitir a manifestação das energias mais básicas do ser humano, através de atitudes calculistas, implacáveis e destrutivas no uso do poder para obter benefícios pessoais e defender o seu território.

Enquadrado no mapa natal de cada um, as áreas de vida onde o trânsito acontece vão representar as experiências e circunstâncias que permitem a manifestação da energia e através das quais seremos convidados a aplicar os princípios descritos. Para quem tem planetas ou eixos nos signos de Carneiro, Caranguejo, Balança (signos cardeais), principalmente nos graus referidos anteriormente, os contactos de Marte (bem como a sua conjunção com Saturno e Plutão) vão produzir desafios e conflictos que pretendem rever as nossas metas pessoais e tendências individualistas; os nossos apegos e inseguranças que nos mantém presos ao passado e ligado ao que nos é familiar; bem como as nossas relações e parcerias que dificultam ou impedem a tomada de decisões mais maduras e independentes. Para quem tem planetas em signos de Terra (Touro, Virgem e Capricórnio) estes trânsitos podem ser especialmente favoráveis para a implementação e consolidação de técnicas de trabalho, para liderar ou assumir responsabilidades profissionais e sociais, estruturar e consolidar competências, e tomar decisões importantes com relação à necessidade de investir recursos.

Brevemente o artigo com o movimento retrógrado de Mercúrio pelo signo de Carneiro.

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DESABROCHAR DA FLOR DE LOTUS

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PARTE 3 

Úrano pelo Signo de Touro

15 de Maio de 2018 a 7 de Julho de 2025

«Desde 2008 que tudo aquilo com o qual nos relacionávamos e não permitia a entrada de uma nova Consciência, teve que ruir e colapsar. Será um “Nascimento” (Úrano em Carneiro) difícil já que teremos que o fazer através das “Cinzas” (Júpiter em Escorpião). Os Planos que tínhamos foram destruídos e pouco do passado transita connosco para o Futuro, a não ser a Sabedoria que nos permite não cometer os mesmos erros. A pouco tempo de Úrano ingressar em Touro perguntem-se: Qual o Novo Plano para as v(n)ossas Vidas?»

Termina desta forma o último artigo do Desabrochar da Flor de Lótus – Parte 2 Úrano pelo Signo de Carneiro.

Com Úrano a ingressar o signo de Touro, a energia movimenta-se no sentido de encontrarmos formas diferentes de Construir o Plano.

Vamos atentar um pouco à história. Úrano esteve em Touro pela última vez entre 1934 e 1942. Estávamos no período da 2ª Grande Guerra, mais longa que a 1ª, e com maiores impactos ao nível económico e financeiro. Este foi igualmente o período imediatamente seguinte ao crash da bolsa e que se estendeu ao longo da década de 30, um período de profunda instabilidade financeira e económica. “E Tudo o Vento Levou” foi o filme da época (1939), com Hattie McDaniel a ser premiada com o óscar de melhor actriz secundária em 1940. O filme era um testemunho sobre a forma traumática e repentina com que uma família abastada do Sul perdia toda a sua riqueza e era forçada a uma mudança radical no seu paradigma de valores. De um momento para o outro perdiam-se propriedades, posses, segurança e estabilidade. A cor da pele da actriz que foi premiada marca igualmente a diferença, já que na altura isso seria um atentado aos valores da sociedade e que rompia completa e absolutamente com a normose da sua actualidade.

Hattie McDaniel foi a primeira pessoa de cor negra com uma autorização especial para comparecer ao evento, já que tal era proibido na altura (a não ser a permissão da entrada como servente). A mudança que produziu nos valores de base da sociedade do seu tempo não tinha preço… para além do filme ter sido reconhecido por impulsionar mudanças na forma como os afro-americanos eram retratados nos filmes, assistia-se à valorização de uma pessoa não pela sua forma física, ou aparência, mas pelas suas competências e talento, a desafiar a sociedade e o mundo a ver para além do que os sentidos permitem. Muito mais poderá ser acrescentado, para quem queira aprofundar a pesquisa, acerca da passagem de Úrano pelo signo de Touro por esta altura.

A simbologia astrológica encontra as suas formas de expressão na esfera mundana, mas certezas acerca das manifestações que o trânsito de Úrano em Touro irá produzir, são muito poucas. Podemos divagar sobre o tema, até intuir possibilidades. É verdade que o ponto evolutivo em que se encontra o estadio de consciência da Humanidade permite-nos pensar em determinados temas e formas de expressão desta energia. Os temas serão provavelmente os mesmos, assumindo formas diferentes… Também nós, no tempo actual em que nos encontramos – século XXI, experienciámos uma crise global no sistema económico e financeiro, com o crash da banca e do sector imobiliário – com todas as consequências que isso teve na “carteira” de cada um, e que teve inicio em 2008 aquando da passagem de Plutão em Capricórnio, Úrano em Carneiro em 2011, e intensificada pela quadratura entre ambos,

«(…) E tudo isto foi extraordinariamente intenso pelo facto de Úrano em Carneiro ter estado em quadratura com Plutão em Capricórnio entre Junho de 2012 e Março de 2015

(Desabrochar da Flor de Lótus – Parte 2 Úrano pelo Signo de Carneiro)

 Conforme vimos, ao longo da história, a passagem de Úrano pelo signo de Touro tem evidenciado períodos de importantes mudanças no sector económico e financeiro, já que Touro é o primeiro signo de Terra e a sua simbologia está associada ao Construtor e aos Recursos.

Construímos a nossa Vida com base nos recursos de que dispomos. As mudanças ao nível dos recursos forçam-nos a ter que repensar tudo aquilo que construímos e que não tem mais solidez para permanecer. Mudamos os nossos “recursos”, mudamos as nossas “construções” no mundo (individual e colectivo). A este nível, na esfera mundana e diária, algo que me parece evidente e inevitável, é que iremos sem dúvida experienciar mudanças no paradigma e no conceito de Posse. O que significa “ter posse” sobre algo, ou “ser-se rico” nos tempos que se seguem? O dinheiro representa o nosso suporte material por excelência, e é de uma forma geral o nosso principal recurso de base para viver a vida do ponto de vista terreno. As mudanças na nossa relação com o dinheiro forçam-nos a mudar aquilo em que desejamos investir e construir. Repensamos no que realmente tem valor. Tudo para que possamos desenvolver o Desapego (Úrano) das formas, dos objectos, das posses (simbolicamente, podemos esperar mudanças na forma como usamos e movimentos o dinheiro, incluindo a sua forma física ou, porque se trata de Úrano, um aumento do seu formato virtual). Touro é o primeiro signo da tríade de Terra, elemento composto igualmente por, Virgem e Capricórnio. Em Touro desenvolvemos as competências, acumulamos os recursos, desenvolvemos a paciência e a calma necessárias para, em Virgem, trabalhar a matéria e os materiais que estão à nossa disposição de forma a dar-lhes uma finalidade prática, organizamos os recursos para que sejam úteis, eficazes e eficientes. Portanto não acumulamos o que não é produtivo. Ao passarmos simbolicamente para a Consciência de Capricórnio, temos a capacidade de utilizar todos esses recursos para aperfeiçoar a sociedade em que vivemos, hierarquizamos as prioridades do que é necessário trabalhar e mais importante construir e, sobretudo, termos na nossa Consciência a noção de Responsabilidade para que todos esses Recursos sejam utilizados de forma eficiente, com o objectivo de Servir a Todos, e que possamos finalmente Desejar Construir um mundo melhor. “Estou aqui, tenho estas competências, recursos (Touro), quero trabalhar (Virgem), como posso contribuir (Capricórnio)?”. Este “mundo melhor”, traz-nos à memória a tão conhecida Idade do Ouro, uma época de Cronos, Saturno (Capricórnio), de completa abundância, de ausência de desperdícios, uma sociedade equilibrada e rica pela forma responsável com que faziam uso dos recursos que tinham à sua disposição. Para que esta nova sociedade possa ser Construída, é necessário começar pelo principio, pelos valores que estão nas suas fundações, Touro.

Na sociedade dos nossos tempos o petróleo (ou “Ouro Negro”), senão a principal fonte de riqueza à escala global, é sem dúvida o recurso que (ainda) domina as nossas formas de vida, os nossos hábitos, padrões e que tanto tem estimulado o nosso instinto de sobrevivência, de tal forma que estamos dispostos a (literalmente) matar para não o perder. Em astrologia, o petróleo está simbolicamente associado a Plutão, regente do signo de Escorpião. Representa os recursos que estão abaixo da superfície e que, usados de forma negligente, têm um impacto extremamente destrutivo. A própria natureza do petróleo é escorpiónica. Conhecido maioritariamente como um “recurso fóssil”, o próprio nome é sugestivo da sua origem, um recurso proveniente, em parte, de matéria orgânica decomposta e depositada a níveis profundos. A exploração deste recurso tem-se demonstrado destrutiva. Literalmente por oposição, o signo de Touro (oposto a Escorpião) representa tudo o que está à superfície. Nesta linha de raciocínio, ao nível colectivo, faz sentido para mim, pensar que teremos que tornar reais e “materializar” os novos Recursos (alguns descobertos por altura da passagem de Úrano em Carneiro) mais limpos que o Petróleo, que permitam a construção de uma nova sociedade. Podemos experimentar uma completa Revolução tecnológica no tema Ecologia, permitindo-nos criar formas mais pacíficas e harmoniosas de viver, de limpar a Terra do lixo acumulado, do desgaste de recursos, e torná-la mais fértil (literal e simbolicamente). Aqui, de forma literal, Úrano em Touro apela a novas formas de lidar com os recursos da Terra. É aqui que teremos que evoluir na prática no que diz respeito a esta nova forma de viver, até porque, com o seu ingresso no signo dos recursos, precisamos urgentemente de compreender que a Terra chegou a uma “ruptura de stock”…

Conforme já foi referido, todos estes conceitos com relação ao signo de Touro propõem uma profunda mudança individual que vai muito para além das alterações físicas e materiais, com relação ao que valorizamos na vida, ao que é que para nós tem e atribuímos importância, ou conforme nos ensina o velho provérbio popular, “vão-se os anéis, ficam os dedos”. Simbolicamente, e a um nível mais profundo, torna-se urgente renovar os nossos recursos internos, as nossas competências individuais, para que possamos construir O novo Caminho. A Libertação da necessidade de Desejar, que produz apego e posse, e que a filosofia Budista tanto enfatiza como requisito fundamental para o reencontro com a Felicidade e a Pacificação internas. A Humanidade deseja sem “disso” precisar. Apelo a mudanças radicais e rápidas na nossa relação com a Terra, Libertação da nossa noção de “posse”, abrir mão disso que julgamos possuir e que acumulámos a mais, excedendo o consumo para além do que na verdade precisávamos. E à medida que nos libertamos do que temos a mais, sentimos maior Gratidão e prazer em viver.

Todos os processos de Úrano são a antítese da nossa natureza humana. Úrano é exactamente o descondicionamento, a ausência de padrões instituídos, o desaprender constante da vida, o desapego das formas para que a Consciência não fique presa e possa expandir-se na sua real vastidão. Somos muito mais que o limite da nossa pele e do que aquilo que nos permitem os 5 sentidos. A natureza humana é na sua essência o oposto de Úrano, somos um “bicho d’hábitos”. Por isso, a influência de Úrano sobre a Humanidade faz-se sentir frequentemente, e de um modo geral, de forma traumática pela resistência natural do homem em Mudar. Algumas mudanças são já urgentes e parece que uma boa parte da Humanidade está receptiva para receber “alegremente” os ventos da mudança.

O facto de Saturno transitar pelo signo de Capricórnio e realizar conjunção a Plutão (no mesmo signo) pressupõem urgência nesta real necessidade de transformação. Na minha pespectiva, este encontro entre Saturno e Plutão marca o deadline para a sociedade em que vivemos. A primeira conjunção exacta ocorre a 12 de Janeiro de 2020 e marca a contagem final, a hora a que podemos falar em “fim do tempo” para um “novo tempo”.

Mas para muitas das necessidades de Úrano a serem integradas, ainda o sentimos como uma tempestade. Um efeito proporcional à nossa resistência à mudança e à necessidade instintiva de preservação (uma das qualidades de Touro). Frequentemente esta necessidade de preservação é baseada no medo e na ilusão existencial. Vivemos na ilusão de que deixaremos de existir sem “aquilo” que queremos preservar, que muitas das vezes é exactamente “aquilo” que nos irá destruir. Positivamente esta qualidade permite que aquilo que era apenas uma Idéia (em Carneiro), se torne uma realidade. É a qualidade que permite materializar uma aspiração. Pela Negativa, é a necessidade de preservar determinadas formas de vida, impulsionada pelo desejo, com a ilusão de que assim estaremos seguros e confortáveis. Onde há apego, não existe espaço para a mudança.

Esta Consciência entre Espirito e Matéria é desenvolvida no signo de Touro, através do seu regente exotérico Vénus, que canaliza a energia de 5º raio da Ciência ou do Conhecimento Concreto. Enquanto Humanidade, esta dessacralização da Terra tem conduzido à profanação dos seus Recursos. Simbolicamente, o elemento Terra corresponde ao Templo que construímos para viver a vida, para exercer uma actividade (mais ou menos) Sagrada. E com Sagrado não me refiro a religioso, mas antes a algo elevado, mais ligado à nossa Natureza mais Profunda. Quanto mais Sagrada forem as nossas intenções, mais belos e harmoniosos os nossos Templos e todos os materiais que utilizarmos nas nossas “construções”. Para isto acontecer tem que existir primeiro uma Libertação para podermos passar do desejo ao Amor / Aspiração.

Gosto sempre de relembrar que tudo tem relação entre si e uma sequência. Tudo são processos e não acontecimentos isolados. As decisões tomadas aquando de Úrano em Carneiro (e sabemos que não só…) serão fundamentais para que todos os processos despertados durante a passagem de Úrano por Touro possam encontrar formas concretas de expressão. Para quem não Despertou antes do ingresso de Úrano em Touro, à espera que a tensão entre Úrano em Carneiro e Plutão em Capricórnio passasse, sabe, no fundo no fundo, que perdeu uma grande OportUnidade de tornar todo o processo de Mudança muito mais fácil e pacífico… Acreditamos que “nunca é demasiado tarde para mudar”.

A passagem de Úrano pelo signo de Touro será síncrona com o trânsito de Saturno em Capricórnio até ao dia 17 de Dezembro de 2020 e com o trânsito de Plutão em Capricórnio até ao dia 19 de Novembro de 2024 trazendo grande enfase ao desenvolvimento da Consciência com relação ao elemento Terra. Este tema será desenvolvido no próximo artigo «Desabrochar da Flor de Lótus – Parte 4 Trânsitos de Úrano pelo Signo de Touro».

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O estudo da astrologia sempre deu extrema importância aos ciclos representados pelas estações do ano porque estas espelham os ciclos de desenvolvimento do Homem. No hemisfério Norte o signo de Capricórnio, o último da tríade da Terra regido por Saturno, corresponde ao inicio do Inverno, à fase em que tudo o que tinha que crescer atinge o seu pico. Com os frutos colhidos, a Terra amadurecida recolhe-se para avaliar as consequências do ciclo que terminou, para se renovar e garantir um novo futuro. A energia move-se do exterior para o interior, do “dia” para a “noite”, investindo não na imagem externa, mas no trabalho oculto que pretende renovar os recursos e proteger a semente que se encontra no escuro e Silêncio da Terra até ao inicio do novo ciclo na Primavera (simbolizado pelo signo de Carneiro e Equinócio da Primavera). O Solstício de Inverno deste ano, ocorre no dia 21 de Dezembro às 16:28 (Portugal), o momento exacto em que o Sol ingressa no signo de Capricórnio. Astronomicamente este é o momento em que se regista a noite mais longa do ano. Ao dia, principio solar, foi atribuída a energia Yang, de extroversão; à noite, principio lunar, a energia Yin, de introversão. Por analogia, o Solstício de Inverno remete para uma energia que favorece os processos de recolhimento, e de trabalho interno. Infelizmente associa-se frequentemente a energia Yin a uma condição de passividade, mas isso depende do ponto de vista, da nossa capacidade de observação, pois do ponto de vista interno, dentro da nossa “casa” muita é a actividade gerada no seu interior. O mesmo acontece na Natureza. Quando plantamos uma semente no solo, à superfície nada acontece. Aparentemente não há vida porque nada se vê, deduzimos que naquele local não há actividade. Mas no interior do solo, no escuro e Silêncio da Terra, o solo e a semente reciclam-se e desenvolvem-se silenciosamente até à Primavera.

Do ponto de vista astrológico, este solstício tem a particularidade de Saturno estar em Capricórnio, que ingressa neste signo exactamente no dia anterior, a 20 de Dezembro. O Sol está exactamente conjunto a Saturno, que se encontra em domicilio, intensificando a simbologia associada ao Solstício.

Por norma, comemoramos estes dias e eventos de forma isolada, como se os seus princípios não tivessem continuidade no tempo, resumindo-se a celebração ao dia da sua ocorrência (neste caso o dia 21). Mas talvez seja útil pensar nos processos desencadeados pelo dia e não apenas no momento isolado. Talvez possamos pensar que este será um ciclo de maiores exigências e maiores necessidades de trabalho. Precisamos de amadurecer através das dificuldades e dotar as nossas sementes com a responsabilidade para enfrentar os inúmeros e difíceis testes que o Tempo nos irá trazer. Uma renovação e trabalho interno marcados pelas consequências de um passado que se faz, mais do nunca, real. Consciência de profunda culminação, que significa o mesmo que dizer, que desta “fruta” não sai nem mais uma gota de sumo… Para transformar o peso em Sabedoria temos obrigatoriamente que incluir e integrar as experiências de uma vida e aceitar trabalhar nas condições deste “Inverno” tão rigoroso. Rigor terá que ser a nossa prioridade para gerir prioridades. A tristeza ou tendências mais depressivas durante estas fases menos “solares” deve-se à dificuldade em vivermos connosco mesmos, na nossa “casa”, onde muitas vezes tão pouca Luz tem. Sentimo-nos um pouco mais apagados, desejosos que o Sol astronómico brilhe tão intensamente no Inverno como no Verão… se assim for nem damos conta que Ele por cá passou. E isso é literalmente um desperdício. Esta é uma oportunidade para amadurecermos e prepararmos conscientemente as condições do nosso “solo”, não desperdiçando energias, enriquecendo a Terra de que somos feitos. Desenvolver Consciência acerca dos nossos Limites e Limitações, e com tudo isto o autoconhecimento que nos permite medir a largura das paredes (Saturno) com que construímos a nossa “casa” e qual a quantidade de Luz e Calor (Sol) que conseguimos gerar no seu interior. Independentemente do tempo que se faz lá fora, trata-se de compreender o Tempo que se sente cá dentro. Remetemos a Consciência (Sol) para o local onde devemos de focar a nossa verdadeira necessidade de Sucesso (Saturno), no interior de nós mesmos;

«O homem que é verdadeiramente sério deve começar por si mesmo, ele deve ser calmamente consciente de todos os seus pensamentos, sentimentos e acções. Aqui novamente, não se trata de uma questão de tempo. Não existe um fim para o auto-conhecimento. O auto-conhecimento acontece a cada momento, é um processo, e por isso mesmo existe uma felicidade criativa que é gerada a cada momento.» Jiddu Krishnamurti

Em simultâneo com o Solstício de Inverno festejamos o Natal, que não é senão uma simbologia ao Despertar da semente, aquela que faz crescer em nós a Árvore da Vida. Nesta que é a altura em que as noites são mais longas que o dia, é exactamente a época em que acendemos as Luzes que iluminam a nossa Árvore, e fazem brilhar a nossa Estrela. A energia concentra-se dentro de “casa” já que lá fora o frio força-nos a recolher e a celebrar aquilo que realmente tem importância.

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DESABROCHAR DA FLOR DE LOTUS

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PARTE 2

Úrano pelo signo de Carneiro

12 de Março de 2011 a 15 de Maio de 2018

Nenhuma das circunstâncias de crise em que vivemos agora começou agora. Por isso considerei importante voltamos um pouco atrás no tempo para nos relembrarmos da altura em que tudo, o que considerávamos garantido, começou a mudar. Estávamos em 2008 e Plutão ingressava em Capricórnio. Esta é a fase que coincide com a grande crise económica de 2008, em que assistimos à queda do sector imobiliário e bancário. A partir desta data nada parecia certo. Deixámos de ter o mesmo conceito de “estabilidade”, qualquer um poderia perder o seu emprego (até então) estável e o conceito de “carreira” foi literalmente “congelado” ou destruído. Foi o início do fim de inúmeros hábitos, padrões, planos de vida e certezas absolutas. Um tempo depois, em 2011, Úrano ingressa em Carneiro. Aqui estávamos nós, ainda a lutar para sobreviver, a lutar para evitar o inevitável, ainda em choque e, em simultâneo, a ser convocados para uma mudança radical, que iria levar o seu tempo, mas que já nessa altura alertava para a urgência de Despertar. Olhávamos para o passado, para a única coisa que conhecíamos tentando reanimá-lo por entre a destruição inevitável, ao mesmo tempo que uma nova vida, um novo Futuro se fazia manifestar naquele Presente momento em que os planos que tínhamos até então não nos salvavam e apenas nos conduziam a becos sem saída.

E tudo isto foi extraordinariamente intenso pelo facto de Úrano em Carneiro ter estado em quadratura com Plutão em Capricórnio entre Junho de 2012 e Março de 2015. Capricórnio é o signo em que, simbolicamente, as ideias projectadas e iniciadas em Carneiro (que anatomicamente rege a Cabeça), assumem a sua culminação. E quando “algo” atinge o seu culminar, atinge igualmente o seu fim. Foi o culminar de uma forma de vida, pessoal e colectiva. Capricórnio é sem dúvida um signo de consciência colectiva, na medida em que, no seu ideal, remete para a forma concreta como cada um de nós pretende contribuir para a sociedade. A prioridade é sempre o bem colectivo e, porque tal representa um enorme Poder, ponderamos sempre as consequências e o impacto que os nossos actos e decisões têm sobre os outros. Por isso mesmo, a um nível mundano, Capricórnio está associado aos cargos políticos, porque supostamente, esses (os políticos) detêm o poder que deveria de ser usado para zelar pelo interesse comum, tomando decisões que beneficiem o seu colectivo (povo, nação, humanidade). Principalmente durante esta fase da quadratura de Úrano em Carneiro com Plutão em Capricórnio, foi evidente a inexistência desta “boa intenção colectiva”. Testemunhámos a queda de um sistema, social, económico e politico, podre e corrupto pelo seu abuso de poder… tínhamos que reconhecer que era tempo de mudar. Emerge a necessidade de tomar Consciência à escala global de que estamos, literalmente, a “rebentar pelas costuras”. Chegámos ao máximo possível (culminámos) para este nível de Consciência, precisamos de rever prioridades e começarmos a dirigir a nossa necessidade de “Sucesso” para outras preocupações. Romper com imagens individuais e colectivas acerca das nossas ambições e mudar completamente “aquilo que queremos ser quando formos grandes”. Para obtermos resultados diferentes, para sermos melhor sucedidos na nossa vida, não podemos de forma nenhuma continuar com os mesmos métodos e objectivos. Há que começar de novo, e isso não significa que a solução é ir viver para Marte porque iriamos fazê-lo transportando connosco os mesmos “problemas”… Deparámo-nos durante estes trânsitos de Úrano (e em especial durante o período da quadratura com Plutão em Capricórnio) com questões muito mais essenciais e “primordiais”, Questionávamos “como salvar o nosso planeta” para que possamos, antes de algum dia “ser grandes”, garantir que temos condições para simplesmente existir. Afinal, trata-se de começar de novo, pelo início… Com Plutão as coisas são literalmente uma questão de vida ou morte, o que significa que, para continuarmos a viver (literalmente) é preciso transmutar muitos dos nossos hábitos e padrões, muitas das nossas imagens de sucesso e, completamente, muitas das formas em que mantemos a nossa Existência enquanto habitantes no Planeta Terra, os nossos “planos de vida”. Algo tão extraordinariamente difícil quando olhamos para a humanidade como uma consciência única e colectiva que tem milhares de história e de experiência acumuladas. Um reset violentíssimo, uma desaprendizagem intensa. Talvez muitos de nós só agora se tenham apercebido desta realidade porque Júpiter encontra-se em trânsito pelo signo de Escorpião, e isso significa que agora temos mesmo que Ver (Desabrochar da Flor de Lótus – Parte 1 Júpiter em Escorpião). Talvez nunca tenhamos pensado que a nossa geração tivesse que lidar com A Vida do Planeta (literalmente). Tudo isso fazia parte dos filmes de ficção científica que retratavam finais apocalípticos apenas para daqui a muitas centenas de anos. Algo lamentável, realmente, e muito real. É para já, e é urgente, à boa maneira de Úrano. Acontece agora. Sim, há limites para tudo, nós incluídos… Mas como é hábito dizer, nunca é tarde demais para mudar… e, mesmo que tudo isto pudesse ter sido evitado, se calhar não podia, não podíamos, não saberíamos…

Na astrologia esotérica, o signo de Carneiro permite a manifestação da energia de 1º raio – Vontade e Poder. É o berço das Grandes Ideias, onde todo o Nascimento acontece e, por isso, um signo de Manifestação. Nesta astrologia mais contemporânea, marcada pela influência de Alice Bailey, Dane Rudhyar e Alan Leo, percebemos que a história dos ciclos astrológicos e as suas Manifestações estão sempre a par e passo com a Consciência do Homem. Há momentos em que estamos preparados para receber a influência de uma determinada energia, através de um planeta ou de uma Hierarquia (principio inteligente cósmico que está fora do nosso sistema solar). Para compreendermos a importância do que pretendo explicar, precisamos de saber que em astrologia existem três níveis de regência; exotérica, esotérica e hierárquica. As nossas manifestações energéticas são ainda essencialmente no plano exotérico, correspondente ao da personalidade, o mundo da matéria e das formas, apesar de já se fazer sentir a necessidade de expressão ao nível da Alma (ou esotérico). As nossas respostas à energia e as intenções do planeta com relação ao último nível de regência (hierárquico) têm sido quase totalmente inconscientes porque não existe a maturidade para as integrar. A Humanidade tem vivido num estado de surdez e miopia profundos, do qual tenho esperança, já estarmos a começar a sair. Úrano é regente Hierárquico de Carneiro, e apesar da dificuldade em reagirmos conscientemente ao poder das Hierarquias, a energia que chega ao nosso planeta através deste planeta é extraordinária. Talvez estejamos a conseguir Despertar para as suas intenções e isso é uma excelente Oportunidade no desenvolvimento espiritual da Humanidade. Na sua mais alta expressão, este princípio de Úrano, permite a Libertação do Homem para que possa começar um novo caminho energético, de Consciência. E não começar (ilusoriamente) de novo, mantendo a consciência de velhos padrões em busca de mudar apenas as formas. Esta Libertação através do seu regente hierárquico (Úrano) permite que a mente, regida por Mercúrio (regente esotérico de Carneiro), consiga captar as ideias do Plano Divino. Através do seu regente exotérico, Marte, lutamos por esse novo ideal, canalizamos a energia para nos dedicarmos e sermos devotos a um novo objectivo (Marte canaliza energia de 6º raio – Devoção e Idealismo), utilizando a personalidade para abrir e lutar por estes novos caminhos.

Tudo isto que nos foi acontecendo desde Março de 2011 foi, É, um grande Despertar através de Úrano no signo de Carneiro. Muitos de nós despertaram de forma traumática, principalmente para quem tem nos seus mapas natais planetas nos signos cardeais – Carneiro, Caranguejo, Balança e Capricórnio. E outros gradualmente, abraçando a mudança como uma grande oportunidade. Porque, na verdade, é mesmo disso que se trata, de uma nova OportUnidade. É para todos, sem excepção… E toda a nova oportunidade precisa de um Plano, Aquele por onde começámos a falar no início deste artigo. E este artigo serve para recordar o que há muito tempo já começou, fazer a ponte entre o extremo a que chegámos (Júpiter em Escorpião) e o que precisamos de Construir daqui para a frente (Úrano em Touro).

O trabalho de Úrano em Carneiro permite a Manifestação da Relação entre Espirito e Matéria (a energia de 7º raio canalizada por Úrano), e como em qualquer relação, o conflito emerge. Úrano em Carneiro trouxe a necessidade de relação e a sua manifestação, ao passo que Júpiter em Escorpião (e também em Balança) pretende mostrar—nos exactamente os conflictos que ainda vivemos e que, por sua vez, dificultam a Relação. Este é um tempo difícil mas igualmente um tempo com excelentes oportunidades de mudança na vida espiritual da Humanidade. Por isso é tão necessário voltar atrás para compreender onde começou, isto que vivemos agora com Júpiter em Escorpião. Porque qualquer reorientação que decidirmos tomar terá que ser no sentido de permitir que a Relaçao entre Espírito e matéria se Manifeste. Desde 2008 que tudo com o qual nos relacionávamos e não permitia a entrada de uma nova Consciência, teve que ruir e colapsar. Será um “Nascimento” (Úrano em Carneiro) difícil já que teremos que o fazer através da “Cinzas” (Júpiter em Escorpião). Os planos que tínhamos foram destruídos e pouco do passado transita connosco para o Futuro, a não ser a Sabedoria que nos permite não cometer os mesmos erros.

A pouco tempo de Úrano ingressar em Touro perguntem-se: Qual o Novo Plano para as v(n)ossas Vidas?

«Desabrochar da Flor de Lótus – Parte 3 Úrano pelo signo de Touro» será publicado brevemente.

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DESABROCHAR DA FLOR DE LOTUS

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PARTE 1

Júpiter em Escorpião

10 de Outubro de 2017 a 8 de Novembro de 2018

Como tenho sempre reforçado ao longo do meu trabalho, toda a manifestação da energia de um planeta através de um signo está dependente do nível de Consciência, individual ou colectivo, através do qual é filtrada. Por isso insisto que este artigo (e os seguintes) pretende reflectir quer as energias presentes no estado actual da consciência da Humanidade quer o potencial a ser alcançado pelo colectivo e que algumas pessoas, de forma individual, já são capazes de expressar.

Começamos por reflectir como tanto o homem e o Planeta Terra são essencialmente constituídos por Água. Somos cerca de 70% água. Em astrologia, este elemento está associado ao corpo emocional, e por conseguinte, às imagens e impressões subjectivas que memorizamos das experiências. Quando pensamos nos processos de desenvolvimento do homem, o nível mais difícil de sofrer verdadeiras alterações corresponde ao corpo emocional. As emoções, os nossos sentimentos, as nossas memórias são a parte que oferecem maior resistência à mudança. Podemos mudar as nossas atitudes, até o nosso pensamento, no entanto, podemos ainda nutrir sentimentos contraditórios ao que fazemos ou pensamos. Memorizamos as impressões subjectivas das experiências e somos altamente (senão totalmente) influenciados por essas memórias.

«A Memória, da forma como a estamos a interpretar, não é simplesmente uma faculdade mental, como é tão frequentemente assumido, mas é essencialmente um poder criativo. Ela é basicamente um aspecto do pensamento e – em conjunto com a imaginação – um agente criativo»

(Esoteric Astrology, Alice Bailey).

Júpiter transita em Escorpião de 10 de Outubro de 2017 a 8 de Novembro de 2018. Escorpião é um signo de Água, mas cujo teor emocional é bastante mais denso que o signo de Caranguejo. As águas de Escorpião são consideravelmente mais densas e muito mais “cabeludas”. Aqui é necessário um esforço acrescido para compreender as motivações e os impulsos que estão ocultos à nossa Consciência e que precisam de ser reconhecidos para que possamos reorientar a nossa vida e apontar para um horizonte que não seja uma repetição do passado.

Júpiter é um planeta que está associado a crescimento. Os seus trânsitos são uma bússola que apresenta o Caminho que a Humanidade deverá escolher para Crescer. No entanto, como somos extremamente míopes, e para nos beneficiar, ele actua por ampliação. Pelas qualidades de ampliação ele permite aumentar a nossa capacidade de visão quer no que respeita à necessidade de compreender o estado em que nos encontramos, quer no que respeita à necessidade de ver mais e melhor para além disso permitindo-nos usufruir das qualidades e benefícios do signo em que transita. A fama do “Grande Benéfico” deve-se ao facto de que os trânsitos de Júpiter permitem as oportunidades que vão trazer benefícios ao nosso processo de desenvolvimento. É a capacidade de visionar um novo Caminho, que há sempre uma escolha melhor do que a nossa “memória” permite vislumbrar. Mas a intenção deste “melhor”, ainda que possa trazer benefícios mundanos, é sempre o de ampliar a nossa relação e conhecimento com a dimensão espiritual do nosso Ser. No entanto, do ponto de vista mundano, em que a natureza instintiva é dominante, o princípio de Júpiter é frequentemente usado para servir os desejos de expansão da personalidade, para favorecer o crescimento e ambições individuais. O homem não desenvolvido (sempre na perspectiva espiritual), procura exclusivamente a obtenção dos benefícios mundanos, a bem aventurança individual. A este nível, Júpiter em Escorpião, está a ser regido pelos princípios exotéricos de Marte e Plutão. Tendo em consideração as qualidades de expansão de Júpiter, e as qualidades de intensidade e profundidade do signo de Escorpião, presumo que nos esperem (ainda) tempos de extremos, principalmente porque a vida da humanidade tem sido essencialmente uma vida de excessos… nesta perspectiva, em Escorpião, o trânsito de Júpiter poderá representar a ampliação da insatisfação e completa cegueira existencial, um tempo de extrema violência e destruição.

Mas apesar desta possibilidade, com Júpiter podemos sempre ter um acréscimo de Fé que permite a esperança que somos capazes de Mudar, e em Escorpião, de mudar de forma extrema. A mudança de que precisamos, individual e colectiva, requer uma profunda alteração no nosso sistema de crenças, no que conseguimos Acreditar sermos capazes para construir um mundo melhor, em conseguirmos Acreditar no potencial que existe se transformarmos a nossa visão para o Futuro. As orientações do nosso sistema de crenças deverão facilitar a resolução dos conflictos e crises individuais e colectivas, bem como permitir o reposicionamento ou a reorientação do homem com relação à razão e sentido da sua própria existência.

Se compreendermos a natureza de Júpiter como a capacidade de Intuir e escolher o novo Caminho a Seguir, este posicionamento em Escorpião parece-me bastante importante, como se nos encontrássemos numa encruzilhada existencial, já que as escolhas a tomar daqui para a frente residem na destruição e morte, ou na Iluminação e consequente reorientação (nossa e por conseguinte, da Humanidade). Enquanto Júpiter ainda se encontra em Escorpião, e apesar de nunca efectuarem aspecto entre si, Úrano ingressa em Touro a 15 de Maio de 2018, permitindo uma activação importantíssima do eixo Touro/Escorpião. De acordo com os ensinamentos esotéricos, Touro é o signo onde o Homem atinge a Iluminação. Durante a permanência neste signo, Úrano permite a Libertação das formas que nos condicionam, a que podemos chamar “desejos”, e Despertar para a vida da Alma. O próprio Buda está associado ao signo de Touro (e porque em astrologia devemos sempre pensar em eixos, o signo de Escorpião). Buda, que significa aquele que está “Desperto”, é a personificação do estado de Iluminação a que se refere a astrologia esotérica com relação a este signo como “O Olho Iluminado do Touro”, aquele que consegue Ver para além de Maya (Escorpião). Esta Iluminação, que é uma consequência do processo de “Despertar”, prende-se com a capacidade de compreender “a verdadeira natureza dos fenómenos” de que nos ensina o Budismo, e que consiste exactamente no entendimento de que todos os fenómenos são impermanentes. Esta consciência permite uma vida plena, livre dos condicionamentos mentais que estão na origem da insatisfação e do sofrimento. No seu potencial, Júpiter em Escorpião representa esta capacidade de compreender o significado de impermanência que está igualmente associada à Lei da Circulação. É compreendermos que tanto do que construímos, nasce, cresce e morre, e ainda assim ficarmos contentes com isso porque conseguimos ver nisso uma oportunidade.  Permite-nos a capacidade de Ver para além do cenário de destruição que está presente nos nossos tempos actuais, na nossa vida pessoal e colectiva (já não dá para pensar de outra forma), a capacidade de avançar sem negligenciar as perdas, os problemas, os conflictos para que possamos Descobrir o Caminho para a Cura. Ampliar o nosso conhecimento com relação a ferramentas de cura e limpeza que sejam Benéficas, e até explorar algumas que antes seriam consideradas tabu. E porque Júpiter é esperança, sabemos que nada se perde, tudo se Trans-forma, mesmo o que parece já não ter utilidade e seria apenas lixo.

Para uma sociedade que se construiu com base em valores essencialmente materialistas, a passagem de Júpiter pelo signo de Escorpião e a activação do eixo Touro/Escorpião com o ingresso de Úrano marcam mais um fim para esta consciência individual e colectiva, bem como a necessidade de reconhecer que, sem Vermos o carácter destrutivo desta forma de estar, ela será, na verdade, o nosso fim. Permite o recomeço e a reconstrução de uma nova sociedade, radicalmente fundada em novos valores. E para podermos ganhar mais, Júpiter em Escorpião ensina que, antes que essa nova realidade colectiva possa acontecer, muito teremos ainda que aprender a perder, mesmo ao nível material. Esta oportunidade de reorientação, redirecionamento que Júpiter proporciona, em Escorpião, implica a passagem por profundos testes e crises antes de passar do teste à Vitória. Preve-se um período de profunda luta, uma luta que pretende eliminar formas de vida obsoletas, onde uns irão lutar para não morrer e onde outros já anseiam por uma nova vida. Por isso é fundamental reconhecermos a nossa natureza destrutiva, lidar com ela de forma honesta para podermos deixar o passado no seu lugar e ambicionar um futuro diferente. Compreender pelo que vale a pena morrer, extrair oportunidades do que necessariamente teremos que perder caso pretendamos continuar a existir, e exercer um correcto uso do Poder. Este novo caminho por entre as cinzas, permite-nos descobrir novos recursos, ocultos para o estado de consciência em que nos encontrávamos antes de “Despertar”. Talvez seja a fase de explorar as últimas gotas daquilo a que poderia chamar a “era do petróleo”, até ao ingresso de Úrano em Touro. É a capacidade de voar mais alto, acima da nossa natureza destrutiva. A este nível Júpiter está a ser regido pelos princípios esotéricos de Marte e (talvez) hierárquicos de Mercúrio.

Durante o seu trânsito pelo signo de Escorpião, Júpiter estabelece contactos bastante favoráveis com Neptuno e Quiron em Peixes e Plutão em Capricórnio. Apesar do seu movimento não ser lento quando comparado com os planetas transpessoais, e dos seus contactos durarem poucos dias, grandes podem ser as suas oportunidades por entre as crises, principalmente porque, neste caso, Júpiter rege Neptuno e Quiron em Peixes, e Plutão rege Júpiter em trânsito.  Estamos disponíveis para não rejeitar aquilo que é o lado negativo da nossa existência e ver, na dor e no sofrimento, oportunidades para as grandes transformações que visionamos serem absolutamente necessárias. Aquilo que era Verdade e fazia Sentido antes, é obsoleto agora. Estamos disponíveis para realizar os Sacrifícios necessários neste novo Caminho, um Caminho de reorientação do inconsciente colectivo, de maior União não importa o credo, a filosofia ou religião. Metemos o dedo na ferida e sabemos exactamente porque dói. Sabemos onde não temos poder e isso facilita e aumenta a vontade de transformar, regenerar, deixar ir, e acreditar profundamente que nada é impossível. E na esfera do impossível podemos Acreditar no aparecimento de Leis menos materialistas, mais inclusivas e compassivas, e que mais possa ser colocado sob a sua protecção. E como se trata de tanta água, em que acrescem os contactos com Neptuno e Quiron em Peixes, muito da nossa cura passará pela limpeza do nosso corpo emocional e, literalmente, dos nossos mares e oceanos, assim como daí poderão surgir novas oportunidades ainda não exploradas.

Do meu ponto de vista, isto significa que, estes próximos anos (talvez até 2025) podem ser de extrema importância no que respeita às possibilidades de Iluminação por parte da Humanidade, um verdadeiro ponto de viragem, com grandes transformações e descobertas, um período de Despertar, de desabrochar da Flor de Lótus. A simbologia desta última está igualmente associada a Buda e ao trabalho desenvolvido sobre a influência de Júpiter em Escorpião e Úrano em Touro. Na Índia, a flor de Lótus simboliza o crescimento espiritual. A sua simbologia começa nas raízes, já que toda a beleza e harmonia que a flor representa à superfície, está dependente e teve origem nas raízes que crescem na obscuridade da água (frequentemente lodosas e turvas). Apesar da pureza e da beleza da flor, ela nunca poderá viver sem as suas raízes… Até que Úrano ingresse em Touro, Júpiter em Escorpião permite-nos desenvolver um trabalho importantíssimo de reconhecimento dos problemas em que vive a Humanidade, um período em que teremos que nos focar nas águas turvas em que se encontram as nossas raízes até que possamos fazer desabrochar a nossa Flor de Lótus.

«Todos vós ansiais pela Luz, pela Libertação daquilo que vos prende. Mas a forma como muitos procuram essa Liberdade é no exterior, através do conhecimento intelectual por exemplo, e isso não será eficaz. A única forma para alcançar a Liberdade é entrar em nós mesmo. Dessa forma teremos que passar por um túnel de escuridão e emergir do outro lado. Onde brilha a luz da verdadeira independência. Apenas após reconhecermos a nossa responsabilidade pela escuridão à medida que percorremos o túnel — uma experiência em nada agradável — poderemos alcançar essa Luz. Enquanto não encontrarmos as imagens que nos condicionam estaremos presos e a reactivar o drama dos nossos erros. Não teremos consciência desses erros e iremos repeti—los continuamente, e isso irá conduzir—nos ao mesmo tipo de realidade.»

(Eva Pierrakos, Pathwork palestra 41)

Que esta temporada de Júpiter em Escorpião seja a nossa viagem pelo Túnel, a exploração das nossas minas de Ouro, a nossa viagem desde a Raiz até à Flor, desde a escuridão até à Luz.

“Júpiter em Escorpião” constitui a Parte 1 do “Desabrochar da Flor de Lótus”, pelo que mais será  desenvolvido com relação à simbologia e propostas de desenvolvimento relativos ao ingresso de Úrano em Touro, signo onde permanece até ao dia 7 de Julho de 2025.

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LUA NOVA – 26º35’ de Balança

Quincuncio quiron em peixes (26º00’) | oposição Úrano em Carneiro (26º33’)

Vivemos uma fase verdadeira desafiante, quer ao nível nacional quer ao nível mundial. E estes novos tempos exigem de nós formas mais criativas de existirmos.

Esta Lua Nova que ocorre no dia 19 de Outubro, surge no tempo certo, perfeitamente alinhada com as circunstâncias, para que possamos desenvolver em nós uma real consciência de Relação. Não vou abordar o tema desta lunação do ponto de vista pessoal, ainda que cada um, individualmente, deva trabalhar as suas intenções na sua realidade pessoal. Para mim é inevitável, e talvez mesmo mais importante, que a análise deste novo ciclo de lunação recaia essencialmente sobre o flagelo que nos tem acompanhado nestes últimos dias.

Enquanto Humanidade, consciência colectiva, estamos viciados em padrões relacionais obsoletos pelas razões óbvias e evidentes. Na melhor das hipóteses poderíamos até pensar em formas de beneficio mutuo baseados na simbiose, mas mesmo essas, como a maior parte de nós as tem vivido, baseiam-se numa troca sustentada no interesse individual e egocêntrico. Infelizmente, e de uma forma geral, vigora por toda o mundo o parasitismo. Usamos os recursos do nosso hospedeiro até que o mesmo sucumba. Mas logo aqui deparamo-nos com um problema, é que Marte ainda não “está pronto” e ao ritmo a que consumimos o nosso hospedeiro, não me parece que tenhamos tempo de “mudar de casa”.

Na análise astrológica do mês de Setembro deste ano referia-me desta forma com relação ao movimento retrógrado de Plutão em Capricórnio:

«Desta vez começo a análise do movimento planetário para este mês de Setembro pelo fim. E o “fim” tem tanto (ou tudo) a ver com Plutão… Plutão inicia movimento directo a 28 de Setembro a 16º51’ de Capricórnio depois de ter estado retrógrado desde o dia 20 de Abril. (…) Porque Capricórnio está relacionado com culminação, o movimento retrógrado de Plutão permite-nos aprofundar o conhecimento que precisamos de desenvolver acerca do que realmente chegou a um fim. E antes que esse “fim” chegue, teremos ainda que lidar com a resistência em aceitar que nada dura para sempre…  Sentimo-nos sem poder perante o poder mais ou menos destrutivo das circunstâncias. Quando Plutão passa a movimento directo, temos a oportunidade de provocar as transformações que reflectem esse acréscimo de Consciência ou simplesmente que reflectem esse equívoco e ilusão. (…) Atrevo-me a dizer que a sociedade e o mundo como o conhecíamos será, literalmente, algo do passado… (…)»

(www.ascendentt.wordpress.com)

E em “Março Astrológico 2017”:

«Desde 2016, ano em que começou a desfazer-se a quadratura entre Plutão em Capricórnio e Úrano em Carneiro, que começámos progressivamente a desviar o focus da nossa atenção para outras análises. No entanto, mesmo que assim seja, não se desfazem os simbolismos da sua passagem por Capricórnio, e talvez seja importante não esquecer que aquilo que aparentemente é uma guerra entre hábitos culturais, religiosos ou filosóficos, esconde motivos muito mais profundos. Uma das qualidades de Plutão, é ajudar-nos a perceber que as coisas são sempre mais do que aquilo que aparentam à superfície. Os conflictos do mundo assentam essencialmente sobre a morte e falência de um sistema económico que teima em subsistir e prevalecer a qualquer custo. »

(www.ascendentt.wordpress.com)

E nada disto me soa a uma relação de Amor. Passámos muito tempo, tempo demais, a desenvolver competências que nos favorecessem individualmente sem nunca pensar no impacto que isso teria no mundo à nossa volta e, por conseguinte, em nós mesmos porque, tudo o que vai sempre volta. E nesta ignorância vivencial fomos construindo, ou talvez melhor destruindo, a relação com o mundo à nossa volta.

Ensina a Sabedoria antiga que o exterior é um reflexo de nós mesmos. Se aprofundarmos a interpretação deste principio, percebemos que o “objecto” com o qual nos relacionamos, como sejam as outras pessoas, os animais, os oceanos, as árvores, a Terra, são senão… nós mesmos. Então tudo o que fazemos a esse “objecto” fazemos a nós mesmos. Balança, um signo regido por Vénus, remete para a necessidade de desenvolver esta consciência de Relação, de Correspondência. Que desarmonização interna acontece em nós que se reflecte e se tem repercutido na desarmonia externa? Como o flagelo externo reflecte tanto do flagelo interno. Mas tudo funciona em espelho, por correspondência, por isso devemos de fazer um esforço, individual e colectivo, para reconhecer o que precisa de mudar para que as nossas relações com o exterior reflictam melhorias.

«Nós não podemos viver sem fazer trocas com o mundo que nos rodeia. A começar pela respiração e pela nutrição, toda a nossa vida é feita de trocas; os orgãos dos sentidos (o tato, o paladar, o olfato, a audição e a visão) foram-nos dados pela Natureza para podermos fazer trocas com a Criação e com as criaturas. E a nossa vida afectiva e intelectual consiste igualmente em encontros e trocas: por palavras, por sentimentos, por pensamentos, estamos sempre a tecer uma rede de relações que é a base da vida familiar e social. Se os humanos ainda não retiram muitas bençãos dessas trocas é porque, muitas vezes, não ultrapassam o nível do instinto, do inconsciente. As plantas e os animais também respiram e se alimentam, os animais também têm orgãos dos sentidos e, por vezes, até melhor desenvolvidos do que no homem, e têm igualmente uma vida familiar e social. Cabe aos humanos tornarem mais profundas, mais ricas, todas as trocas que fazem com a Natureza e os seres com quem se relacionam.»

(Omraam Mikhael Aivanhov)

Como regente de Touro Vénus representa a construção da harmonia e do estado de paz pessoal através desta Consciência Divina para que, através da Balança possamos construir as pontes de levam essa paz ao resto do mundo. Em conjunto com Saturno, regente hierárquico de Balança, Vénus é a essência que permite a construção do Antakarana, em sânscrito a ponte do arco iris, situado ao nível do chakra do Coração. É neste Centro que a substância mental é utilizada para construir uma ponte entre a personalidade e a Alma através da energia do Amor.

Vénus representa o principio energético do 5º raio do Conhecimento Concreto e da Ciência. Esta é a energia que permite compreender a Relação entre o que está em cima e o que está em baixo, procurando activamente estabelecer uma ponte e união entre estes dois princípios dentro de nós, até que espírito e matéria estejam em perfeita harmonia e equilíbrio.  É a compreensão de que “a matéria é o espírito na sua forma de manifestação mais densa e o espírito é a matéria na sua manifestação mais subtil”. E isto torna urgente mudar a forma como olhamos para a Terra e tudo o que nos envolve no plano da matéria.

Na sua forma mais elevada de Consciência, trabalhamos a energia deste signo através de Úrano, que é regente esotérico de Balança e canaliza através deste signo os princípios energéticos do 7º raio da Magia ou Ordem Cerimonial. Representa a Vontade de manifestação da natureza Divina e, através da pontes que construímos, trazer a Paz, a Beleza , a Harmonia através da consciência do que significam “correctas relações humanas” de que nos fala o mestre Djwhal Khul.  É a capacidade de restabelecer Ordem a partir da compreensão  destes princípios.

Esta Lua Nova em Balança estabelece relação com Quíron em Peixes e Úrano em Carneiro. O quincuncio com Quiron em Peixes, remete para a necessidade de despertarmos para a dor e sofrimento que, silenciosamente, se foi construindo ao longo desta relação. A única forma de nos curarmos (pelo bem da relação e de nós mesmos) é compreender e integrar a origem da ferida. A origem da nossa desconexão, do nosso desinteresse da nossa falta de empatia que nos conduziu a abandonar, ou rejeitar, o compromisso que temos para com a vida. Oportunidade para nos reconhecermos na dor e sofrimento dos que tanto perderam, humanos e não humanos, e que isso fortaleça as pontes entre nós numa verdadeira vontade de apoio e entre-ajuda.

A oposição a Úrano em Carneiro torna urgente a “demissão” da parte (interna e externa) que não honra o compromisso. Queremos mais, melhor, Diferente…

Que esta Lua Nova em Balança sirva para meditarmos e invocarmos esta consciência de Relação em nós e em toda a Humanidade. Que permita a tomada de consciência da correspondência entre as mudanças que ocorrem no mundo e as mudanças que precisam de ocorrer em nós. Que possamos perceber onde e como perdemos a Ligação para que possamos  reaprender a viver uma Relação de Amor com a Terra para que possamos restabelecer a Relação “com o que está em cima”. Restabelecer a Ligação amorosa, de respeito para que possamos construir novas e mais pontes que nos conectem em empatia e para que possamos unir esforços e intenções, assumir compromissos justos que visem um real e mutuo beneficio.

Tudo isto para que a Magia aconteça e se quebre o feitiço que nos mantém adormecidos…

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