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Lua Cheia a 29º de Balança

19 de Abril de 2019 | 12:15 pm

Hoje é dia de Balanço

Este primeiro ciclo de lunação do ano astrológico teve a particularidade de ocorrer num contexto em que, como Humanidade, passamos por mais uma conjunção cíclica entre Saturno e Plutão. Esta conjunção, que se torna exacta em Janeiro de 2020, é ampliada em significado e em intensidade pelo domicilio de Saturno e pela conjunção ao Nodo Sul (igualmente em Capricórnio). Em termos muito genéricos, o encontro entre estes dois pesos pesados pretende produzir um efeito destrutivo e simultaneamente regenerador. O ciclo ocorre a cada 35 anos (média) e representa um período critico no desenvolvimento da consciência de cada um de nós. De certa maneira, todas as formas de que a consciência faz uso para se expressar e expandir têm o seu tempo contado.

Esta relação entre Saturno e Plutão está fortemente associada ao incêndio da catedral de Notre-Dame. Neste dia, o Sol em Carneiro estava em quadratura com Plutão em Capricórnio, absorvendo a energia do conflicto para este ciclo da Lua Nova.

Longe de interpretações moralistas ou religiosas, interessa-me realçar o simbolismo de Saturno e do signo de Capricórnio como representantes de uma energia Patriarcal (neste caso simbólizada pela estrutura da Igreja); e a Lua e o signo de Caranguejo como um dos simbolos representantes da qualidade Matriarcal (neste caso Notre Dame, a Nossa Senhora). O interesse neste evento em particular assenta na destruição simbólica da energia Patriarcal, e das estruturas de poder que conservámos nas nossas vidas ao longo do tempo, estruturas que se tornam opressoras e limitadoras. Estas estruturas assumem poder na nossa psique (e nas circunstâncias externas) através da energia que se condensou e cristalizou, baseada em repetidas validações dos resultados obtidos com as experiências ao longo do tempo.

Esta Lua Cheia em Balança representa um pico na expressão energética que este conflicto assume (ainda) nas nossas vidas. Podemos escolher disponibilizar milhões em recursos para reconstruir e reedificar as estruturas obsoletas da nossa vida, ou optar por aproveitar a intensidade do momento para recuperar em nós a sabedoria do passado e seguir em frente. A Lua em Balança pretende reflectir o que ainda precisa de ser harmonizado em nós com relação a este passado, para que possamos focar a nossa Vontade na construção de um novo caminho. Como incluir na reconstrução do nosso “culto existencial” o aspecto feminino que existe em todos nós e que marca a nossa natureza mais sensível, empática, inclusiva, universal. Pode tratar-se de uma oportunidade para tomarmos consciência da forma como movimentamos o poder no sentido de nos harmonizarmos com o mundo à nossa volta, de aplicar a vontade de cuidar e proteger o melhor que temos na vida, uma Vida que tem sido ao longo dos tempos, oprimida e sufocada. Que a Vida em nós possa reconhecer a Vida em cada um, e que cada um se possa reconhecer como uma parte da nossa Mãe Terra, a Notre-Dame, que tem sido tão atacada e destruída. Voltarmos a sentir para não perdermos esse Património de forma irreversível. Tomar consciência que a partir de um determinado limite (Saturno) não existirão milhões que a consigam recuperar…

A um nível pessoal precisamos de compreender que o que fica é a qualidade do caminho que fazemos. Para abrir um novo espaço na nossa Consciência, há padrões relacionais que carecem de urgência para serem quebrados. Reflectimos sobre aquilo de que realmente precisamos para nos sentirmos verdadeiramente em Paz. O quicuncio à Vénus, como regente desta Lua em Balança, apela a um esforço acrescido na compreensão deste sentimento de Paz. Por muito que queiramos, há coisas, pessoas e circunstâncias, que não conseguimos salvar. Implica uma compreensão de sacrificio de quem tem consciência de que há coisas que simplesmente têm que ficar para trás. A dureza (ou em alguns casos a violência) das circunstâncias podem trazer-nos uma sensação de dor e sofrimento que nos podem fazer sentir, em certa medida, vitimas das circunstâncias. Transcender este sentimento de frustração passa por sabermos desenvolver o desapego com relação às estruturas e formas que durante muito tempo assumiram uma posição de poder na nossa vida, e que acreditamos serem a nossa salvação. Passa por aprender a confiar de que o futuro é sempre mais que o passado.

Talvez diria que hoje será um dia muito importante para Balanço.

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© Ana Paula Pestana, All Rights Reserved | ap_pestana@hotmail.com

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