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- Mestre Omraam Mikhael Aivanhov –

“Numa família pobre, nascerá uma bela criança. De um país balcânico (Macedónia) essa águia virá, E no país do Galo (França) habitará. Do seu nome parecido com o meu (Mikael), o mundo se lembrará. A sua voz imensa, a multidão o escutará, E depois de grandes tribulações, Uma nova Era começará”…

Profecia de Mikael de Nostradamus sobre o Mestre Omraam Mikhaël Aïvanhov (Bulgária; 1900 – 1986)

A razão pela qual, humildemente, me propus a escrever sobre o mapa do Mestre Omraam foi porque me senti fascinada por ver a manifestação dos Arquétipos na sua vida. Raramente conseguimos ver a expressão daquilo que cada um dos signos e planetas representam na sua Essência e Dignidade, aquilo que de mais alto definem como meta a alcançar por todos nós ao longo das nossas vidas. Mas a sua expressão esteve presente na vida deste Mestre nascido homem. Uma prova viva dos Arquétipos… As Ideias expressas pela Mente de Deus fluem pela Obra do Mestre Omraam.

Um Mestre que surge com pensamentos e Verdades Universais exactamente no início desta a que chamamos a Era de Aquário. Uma Era em que a evolução da Humanidade deverá fluir pelo desenvolvimento da Inteligência Cósmica. O Mestre nascido homem desencarnou aos 86 anos completando assim um ciclo de Úrano e 3 ciclos de Saturno. Um Aquariano com Lua, Mercúrio, FC e o regente do Asc também em Aquário. Não há como negar a forte presença de Saturno e Úrano no mapa natal daquele que deu à Humanidade as fórmulas alquímicas que permitem a entrada na Era de Aquário. Uma visão clara do que significa viver em plena harmonia com o Senhor dos Anéis (a minha alcunha carinhosa para o sério Saturno!) e o Pai dos Arquétipos (Úrano). Um Pai Universal, um verdadeiro Aquariano.

Por isso, é com toda a humildade que mapeio a sua carta astrológica associando-a ao pouco que sei da sua imensa Vida…

 - mapa natal Mestre Omraam Mikhael Aivanhov –

Não sou fã de textos que procuram descrever fisionomias e aparências físicas a partir das energias associadas ao signo ascendente, mas, confesso que neste caso, a energia que no meu entender emana através do semblante e postura do Mestre Omraam é Saturno/Capricórnio. De facto não é para menos com o regente do Ascendente (Marte e Plutão) em Aquário a depender de um Saturno em domicílio. Plutão está em Gémeos, mas disposto por um Mercúrio em Aquário – e voltamos a Saturno em Capricórnio. Bom, depois temos FC e um Stellium em Aquário, bem como os Luminares no mesmo signo – mais Saturno! Em Capricórnio!

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«O Mestre Omraam Mikhael Aivanhov (1900-1986), filósofo e pedagogo francês de origem búlgara (…)» (transcrição da contracapa das suas obras)

Quando lemos um breve resumo da sua biografia o mestre Omraam é apresentado como filósofo e pedagogo, perfil que tão bem assenta no Stellium em Sagitário com Júpiter em domicílio (sextil a Mercúrio) e por isso mesmo ainda mais forte na sua simbologia. Outra particularidade é o eixo evolutivo Cauda/Cabeça do Dragão em Gémeos/Sagitário, Plutão e Neptuno em Gémeos na casa VIII conjunto ao NS e ainda pelo T-Square mutável com Apex em Vénus.

Entre muitos dos livros publicados sobre os seus discursos existe um que me suscita especial apreço e, para mim, é uma pérola da sua obra, os Poderes do Pensamento. Que melhor título pode expressar a inesgotável bagagem representada pelo nódulo sul em Gémeos na casa VIII com Plutão em conjunção – o Poder (Plutão conjunto a NS na casa VIII) do Pensamento (NS em Gémeos – e Mercúrio trígono a Plutão).

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«O Poder do Pensamento é real, tanto para o lado negativo como para o lado positivo, por isso, há que utilizá-lo para o lado positivo (…). Todas as pessoas pensam, mas como? Vão a uma estrumeira, começam a remexer e sai de lá um odor nauseabundo (…) remexem no estrume e fica tudo empestado. (…) É no domínio interior que as pessoas são mais vulneráveis, e pouco a pouco essa fragilidade acaba por se manifestar também exteriormente.» (excerto da obra “Poderes do Pensamento”)

Como já foi referido, este é um mapa em que a energia de Aquário é muito forte. O signo de Aquário é conhecido como o “Aguadeiro”, aquele que dá de beber ao mundo. Mas a sede do mundo não é de água, é de conhecimento. Um conhecimento que limpa as águas e liberta o homem. As águas aqui entendidas como o campo astral onde estamos polarizados com a dimensão dos nossos desejos e apegados à sua satisfação. No livro «Doze trabalhos de Hércules» de Alice Bailey, no seu 11º trabalho, Hércules tinha como tarefa limpar os Estábulos de Augias para que a Água corre-se limpa novamente.

«Quando Hércules se aproximou do reino onde Augias governava, um terrível mau cheiro que o faz quase desmaiar, feriu suas narinas. (…) soube que durante anos o Rei Augias jamais fizera limpar o excremento que o seu gado deixava nos estábulos reais. Os pastos estavam tão adubados que mais nenhuma colheita crescia. Em consequência, o cheiro nauseabundo varria o país, devastando vidas humanas. (…) Ele fez com que Alfeu e Peneu derivassem as suas águas através dos estábulos do rei Augias cheias de esterco. As torrentes assim aumentadas e aceleradas limparam a imundice por tanto tempo acumulada. O reino foi limpo de toda a sua fétida treva (…)» (excerto do Doze Trabalho de Hércules, por Alice Bailey)

No meu entendimento, as águas a que este 11º trabalho se refere são as águas de Escorpião, o signo de água que antecede Aquário. No Zodíaco estes dois signos estão em quadratura natural realçando a dificuldade em atingir a Liberdade enquanto não se trabalham as sombras em nós. Liberdade é obtida através da circulação das águas que garante a sua oxigenação e limpeza. É a capacidade de distanciamento do mundo astral que permite vigiar todos os impulsos baseados nos nossos desejos, é esta purificação celular, que permite a nossa religação à memória da Alma. A expressão destes 2 arquétipos Escorpião/Aquário, tudo o que representam, parece ser um marco fundamental do trabalho do Mestre Omraam.

Muitos outros significadores reforçam a simbologia entre o arquétipo Escorpião/Aquário. Mercúrio encontra-se em Aquário, signo da sua exaltação – Mercúrio é regente do NS em Gémeos na Casa VIII (energia de Escorpião). Em forte representação deste Arquétipo temos igualmente, e sem dúvida alguma, um Ascendente em Escorpião com o regente igualmente em Aquário – Marte – e Plutão em Gémeos (voltamos novamente a Mercúrio em Aquário). Ele detém um conhecimento profundo das profundezas do ser Humano. Mas não se detém nas sombras do Escorpião, usa antes o potencial deste signo para expressar a energia de 4º raio associada a este eixo – a Harmonia através do Conflicto. O conflicto manifesta-se quando existem desvios entre aquilo que a Alma e a personalidade desejam. Os conflictos manifestam-se exteriormente, nos mais variados contextos da nossa Vida, porque é aí que se tornam visíveis para nós e podem ser integrados na Consciência. É o (sub)mundo de Hades… e assim como na mitologia, em que Perséfone ascendia à superfície durante 6 meses (e com ela tínhamos a Primavera e o Verão) e os restantes 6 descia ao submundo (o Outono e o Inverno), também em nós o mito ressoa. É iigualmente apenas quando trazemos à superfície o que de mais profundo e oculto existe em nós que nos podemos tornar férteis, livres e esplendorosos. Ele referia inclusivamente que deveríamos usar todo este “excremento” como adubo! O Mestre utiliza esta visão tão profunda para ajudar a transmutar e alquimizar as energias que nos prendem à escuridão, para sabiamente aplicar a Lei da Circulação e assim, libertar-nos através de um pensamento discriminativo, Consciente, e “vigilante” como tantas vezes referia nas suas palestras.

Mercúrio é associado mitologicamente ao Mensageiro dos Deuses e parece-me que não teria frase mais adequada se quisesse definir a Vida do Mestre Omraam, um Mensageiro dos Deuses. A cauda do Dragão representa a acumulação de energias que a Alma tem feito ao longo de todas as suas encarnações. Com isto significa que trazemos associada à simbologia da cauda a sua Luz e a sua Sombra – por casa e signo. É óbvio que trata-se do mapa de um Mestre e por isso a transmutação da sombra em Luz é evidente. A Gémeos temos associada a mente analítica, a mente inferior, as faculdades de comunicação, de interrogação, de aprendizagem, de curiosidade, de desenvolvimento intelectual, a necessidade de saber, de ver em dualidade, de ver os dois lados da moeda. Gémeos, per si, é a ausência de qualidade relativamente à informação disponível (é a informação pela informação), é a ausência de identificação que permite o múltiplo interesse nos mais variados assuntos e actividades e, ainda assim, é esta faculdade que lhe garante a eximia versatilidade e flexibilidade perante os mais diversos estímulos e circunstâncias. Na casa VIII, falamos de uma mente mergulhada numa dimensão profunda, psíquica, emocional e intensa. Fala da necessidade de analisar, interrogar, estudar, aprender sobre a natureza oculta do ser humano, o lado sombra, a mente que tem conhecimento das correntes psíquicas e emocionais que dominam o ser humano. É Ar em mundo de Água, é a mente a ter que entrar no mundo subjectivo e inconsciente, é a análise da psique… é óbvio que a mente pode ficar mergulhada na escuridão, presa nos recônditos mais sombrios da natureza humana, ou mesmo presa em falsas espiritualidades, apodrecida por sentimentos sombrios e obsessivos. Pela positiva corresponde à capacidade de vigiar e analisar todas essas correntes conflictantes que colorem a personalidade, é colocar Mercúrio ao serviço de Marte e Plutão trazendo mensagens profundas e reveladoras de, pelos processos de crise e perda que levam à transformação, transmutar essa mesma natureza inferior. É oxigenar (Mercúrio) águas paradas (Escorpião). Como transformar escassez em abundância (Casa VIII / Casa II). O seu mapa revela de facto uma forte relação entre Mercúrio e Plutão (Plutão em Gémeos, Mercúrio – seu dispositor – trígono a Plutão, nodo norte em Gémeos na Casa VIII) e que fala exactamente desta mente profunda com capacidade de induzir à transformação. De facto toda a sua obra fala que, com uma boa disciplina mental e vigilância (qualidades presentes na relação entre Saturno e Mercúrio no seu mapa) sobre os seus pensamentos, sentimentos e desejos, o homem conseguiria mudar a qualidade da sua Vida. O seu profundo conhecimento sobre os meandros da mente permitiu-lhe saber e trabalhar a mente dos homens. Ele falava sobre o poder da mente para o bem e para o mal. Falava frequentemente de como os homens insistem em chafurdar a sua mente em águas paradas. Reforçava imagens típicas do Aguadeiro – aquele cujas águas estavam limpas – referia que os homens deveriam imaginar que eram uma nascente, sempre limpa:

«Escutai uma nascentezinha; ela diz-vos: “Sede semelhantes a mim, sede vivos, jorrantes, senão tornar-vos-eis semelhantes aos pântanos.” Sim, há que ouvi-la, porque se a vossa nascente interior secar, produzir-se-ão em vós fermentações. E, quando há fermentações, já sabeis o que se passa: começam a pulular os mosquitos, as moscas, toda a espécie de animalejos,; mesmo que tenteis acabar com eles, nada conseguireis, pois eles não param de se reproduzir. (…) as pessoas não entenderam que no seu intelecto, na sua alma, deveriam ter colocado em primeiro lugar o que existe de mais puro e de mais divino – a nascente – para que esta nascente, ao correr, purifique tudo neles e faça crescer todas as suas sementes divinas.» (excerto da obra “Os Segredos do livro da Natureza”)

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Talvez toda esta simbologia, à partida difícil de integrar, no seu caso fosse facilmente canalizada pelo trígono entre os planetas em Aquário na Casa IV e Plutão em Gémeos na Casa VIII (uma ligação fluida entre estes dois mundos, Aquário/Escorpião, que facilita o dom da purificação das Águas. Com o signo de Gémeos à mistura temos o Mensageiro dos Deuses a fazer a ponte entre os 2).

Neste sentido, e associando a sua Vida à simbologia desta cauda do dragão, o Mestre Omraam sempre falou sobre a dualidade no mundo invisível, da existência das forças do bem e do mal, da existência da sombra e da luz, e da importância de cada uma destas dimensões no caminho evolutivo do homem. A energia de Gémeos conferia-lhe uma perspectiva ampla sobre variados assuntos, uma colecção vasta de conhecimento e informação ao qual ele soube associar Significado (Sagitário). A Gestalt do seu mapa é um See-Saw ou Hour-Glass (Ampulheta), cujo potencial é exactamente a capacidade da pessoa estar e entender os 2 lados da Vida e conseguir sintetizar as duas perspectivas num entendimento único (a união das polaridades – apenas conseguido através da mente superior, Júpiter, e da Intuição, Úrano). Bom, e poderíamos explorar ainda mais esta Gestalt no seu mapa mas terei que definir alguns limites para que isto seja mais uma “breve” exploração do seu mapa e não um “livro de bolso” sobre o mapa natal do Mestre Omraam… Numa das obras sobre as suas palestras, “Os Segredos do livro da Natureza”, ele refere que teve imensos trabalhos e ofícios e até aí ele tirou o significado maior, percebeu que «o que está em baixo é como o que está em cima»;

«Lembro-me de que, quando eu era novo, por volta dos 13 ou 14 anos, me dava gozo de experimentar toda a espécie de ofícios. Evidentemente, eles não duravam muito tempo (alguns dias ou semanas): (…) e foi assim que me tornei alfaiate! Sim, mas não por muito tempo, apenas um dia, pois, sinceramente, não me agradou, adormeci! (…) mas continuo a fazer a minha própria roupa. (…) Mas há sobretudo um oficio que deixou em mim muitas marcas. (…) e agora gostaria de tirar uma lição deste trabalho junto do ferreiro (…). Toda a gente sabe que, para forjar o ferro, é necessário pô-lo no fogo e esperar que ele se torne vermelho e depois incandescente. (…) como é que a chama pode comunicar ao ferro o seu calor e mesmo a sua luz? (…) o ferro torna-se exactamente como o fogo, luminoso, radioso, abrasador (…). O homem também é comparável ao metal, ao ferro, e só um contacto com o fogo pode torna-lo radiante, brilhante e caloroso.» (excerto da obra “Os Segredos do livro da Natureza”)

Mercúrio sextil Júpiter conferem-lhe esta habilidade de colocar o seu dom ao serviço da Verdade, o Mensageiro dos Deuses ligado à Mente Superior (regentes da cauda e cabeça do dragão – a capacidade de fazer um bom uso das ferramentas desenvolvidas e acumuladas em encarnações anteriores na proposta de evolução da sua vida actual).

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«Desde tempos imemoriais que o homem é considerado como um resumo do Universo. Nos tempos antigos, ele era representado como a chave capaz de abrir as portas do Palácio do Grande Rei, porque tudo o que existe no Universo, enquanto matéria e energia, se encontra, em menor grau, no homem. É por isso que se chama ao Universo “macrocosmos” (grande mundo) e ao homem microcosmos (pequeno mundo); e Deus é o nome do Espirito sublime que criou o grande mundo e o pequeno mundo, que os vivifica e mantém a sua existência. Este microscosmos que é o homem, para viver e se desenvolver é obrigado a permanecer em contacto, em ligação permanente, com o macrocosmos, a natureza; ele deve fazer trocas ininterruptas com ela e é a estas trocas que se chama “vida”. (…) Se estas trocas são entravadas, surgem a doença e a morte.» (excerto da obra “Os Segredos do livro da Natureza”)

O ensinamento do Mestre passou sempre por ajudar o homem a entender e a compreender como funcionava a Natureza e o mundo físico e enfatizava que, ao compreender isso, o homem entenderia o Significado da Vida, que conseguiríamos reconhecer um vector de funcionamento comum entre o macrocosmos e o microcosmos (nós), veríamos Deus representado na matéria. O Mestre teve sempre a capacidade de traduzir a Verdade em formas concretas, em fazê-la visível e compreensível para nós no munda da matéria. Estes ensinamentos foram estendidos inclusivamente ao modo como nos alimentos e como tratamos do nosso corpo físico (tudo isto é o arquétipo de Touro e da Casa II, área de vida tão enfatizada no seu mapa). Para ver o Espirito (Sagitário) na matéria (Casa II – Terra) bastava contemplar a Natureza, perceber e entender através deste livro vivo como é que as energias funcionam e operam em nós. O seu ensinamento foi no sentido de trazer ao homem Filosofias e Verdades (Sagitário) que lhe devolvessem a Paz e Harmonia na relação consigo próprio e com a Vida à sua volta (novamente o arquétipo do Touro representado na casa II). Transmitir-lhe valores que o orientassem, que o ligassem ao Espirito, à mente Superior. Esta cabeça do dragão em Sagitário na casa II é o “olho iluminado do Touro”. Evoluir por Sagitário é aprender a fazer Silêncio. A silenciar a mente (Mercúrio, Gémeos, o seu NS). Existe inclusivamente uma obra publicada sobre as suas palestras intitulada “A Via do Silêncio”. Com Sagitário na Casa II quer dizer que precisamos de fazer Zeus sair do Olimpo e descer ao reino de Deméter – Gaia, Terra. É o elemento Fogo a abrir casas de Terra (ou, no caso do Sagitário, interceptado na Casa II). Com esta concentração de planetas na Casa II, da qual fazem parte um Júpiter em domicílio e o nodo norte, mostra que a Via do ensino é evidente, e que, qualquer que fosse o tema, ele pretendia ensinar ao homem como melhor viver a sua vida na Terra, como obter Paz e como reconhecer a Divindade (Fogo) no plano físico (Terra). Ver o que é e o que Significa a Verdadeira Qualidade de Vida. Entender as Leis Universais (Sagitário e Júpiter) expressas no mundo físico (Casa II). Tudo isto, mais o Apex do T-Square em Peixes com resolução por Virgem na Casa XI:

«Eu quero propor-vos um sistema filosófico que se aplique a toda a gente, para que todos possam trabalhar, ganhar dinheiro, casar, ter uma família, mas, ao mesmo tempo, ter uma luz, uma disciplina, um método. A questão está em aperfeiçoar ao mesmo tempo, o lado espiritual e o lado material. (…) É necessário estar no mundo e, ao mesmo tempo, viver uma vida celeste.» (excerto da obra “Poderes do Pensamento”)

A prática de meditação, oração e o ritual de visualização e contemplação do Sol como representante máximo do Divino na Terra (e é interessante ver Leão no MC, casa de terra, casa de Saturno).

O eixo Escorpião/Touro (o seu Asc/Dsc) fala, como já foi anteriormente referido, sobre a necessidade de Harmonizar através do Conflicto. Portanto, conhecer as forças do desejo, que polarizam o homem com o mundo exterior e o afastam da vida da sua Alma, permite entender as forças conflictantes em si mesmo que impedem o seu casamento com a Alma. Um trabalho que tão eximiamente desempenhou em si mesmo e cujo conhecimento procurou transmitir aos homens. Vénus em Peixes, Apex do T-Square mutável, apontam exactamente para a orientação da sua obra ser no sentido de conduzir o homem para a obtenção de paz e harmonia com a Vida através da Unificação com o mundo Divino, Espiritual. A Vénus como representante do Touro é a forma dissolvida no mundo invisível (Peixes), é o dom de Construir no mundo Invisível;

«Para obterdes resultados no plano material, deveis começar por construir uma base sólida, resistente, ao passo que, para obterdes resultados no plano espiritual deveis, antes de mais, ter um tecto seguro, senão até a base cairá. Isto porque, no domínio interior, espiritual, está tudo invertido, é como se a base se encontrasse em cima e não em baixo. Deveis pois de construir as coisas na vossa cabeça antes de tentardes fazê-las descer ao plano físico; e como é necessário imenso tempo para fazer descer estas construções espirituais ao plano físico, deveis trabalhar durante longos anos para que, um dia, elas possam materializar-se.» (excerto da obra “Os Segredos do livro da Natureza”)

Como regente da Balança representa o verdadeiro casamento que o homem pode fazer, o casamento com a Divindade (reforçado com Balança na Casa XII). Se cada um de nós se unisse com o princípio Divino em si, deixaria de querer reduzir o Divino à dimensão dos seus desejos pessoais projectando esta carência e equivoco nos objectos que possui e pessoas com quem se relaciona. Ir buscar qualquer tipo de “complemento” ao que nos falta… Pouparia muitas (des)ilusões… Ao invés disso teria a capacidade de projectar sobre esses objectos e pessoas Amor Incondicional, Divino, de Partilhar Abundância. Este é, para mim, o verdadeiro propósito (assim muito resumido) da exaltação da Vénus em Peixes. Este T-Square pede igualmente a síntese de tudo o que as diferentes religiões ensinam com o conhecimento cientifico. Ele dissolve as barreiras, dogmas e cepticismos em ambas as áreas de conhecimento, unindo o mundo espiritual ao mundo da lógica e da racionalidade, a fé com a ciência, o símbolo com a racionalidade. Com esta fé objectiva – a Ciência Iniciática – conseguiu servir um grupo de homens e mulheres que procuravam o Caminho da Paz. Com o Apex em Vénus em Peixes na Casa V a resolução do T-Square é pelo grau 15 de Virgem na Casa XI:

(significado do grau Sabiano): UM REFINADO LENÇO RENDADO, OBJETO FAMILIAR HERDADO DE VALORES ANCESTRAIS. IDÉIA BÁSICA: quintessência das façanhas bem realizadas. O poder das raízes produz belas flores. O neófito que age com determinação, coragem e discriminação, ao mesmo tempo em que segue “as pegadas” dos seus predecessores, recebe um prémio simbólico da Irmandade, pronta a recebê-lo quando ele tiver provado plenamente seu valor no campo de batalha em que enfrenta seu próprio passado, que tenta atravessar-se em seu caminho. A Amada mística passa às suas mãos aquilo que ela bordou para ele com fios espirituais. Este é o último estágio da trigésima terceira sequência, que também encerra a décima primeira cena, “Caracterização”. Essa cena iniciou-se com a revelação, num retrato, dos traços salientes do rosto de um homem. Ela termina com símbolos que demonstram a validade última dos muitos esforços das gerações de homens no sentido de construir uma bela e significativa CULTURA. O Homem de Cultura é, no mais profundo e melhor sentido do termo, o Aristocrata. É o florescimento de uma linha de ancestrais que aceitaram a responsabilidade por um grupo ou comunidade. Da mesma maneira, o verdadeiro “discípulo” é a flor que coroa uma longa série de encarnações.

Saturno em Capricórnio na Casa III oposto a Neptuno em Gémeos na Casa VIII aponta igualmente para o “casamento” entre estas duas dimensões, o mundo real, da matéria e o mundo subtil, Espiritual. Mas também, como já foi referido anteriormente, a estrutura necessária para que não nos percamos em intoxicações mentais e ilusões psíquicas sobre o que é espiritualidade, mediunidade, e todos os equívocos relativos à realidade do mundo invisível. Simultaneamente, ajudar-nos a desenvolver a tal estrutura mental que nos permite conferir suporte a toda a dimensão invisível. Sem uma mente disciplinada, forte, segura, é muito fácil perdermo-nos em equívocos psíquicos. Ele sempre referia que é preciso saber construir no mundo espiritual e também no mundo físico. Não pode haver dissociação! Sem isso, a encarnação (Saturno) perde sentido…

™ « O Ensinamento da FBU…

Através de mais de 5000 conferências, Omraam Mikhaël Aïvanhov explora a natureza humana no seu meio ambiente, às escalas individual, familiar, social e planetária. Aquele a quem nós chamamos Mestre – assim designado na aceção oriental do termo, pelo seu autodomínio e  talento pedagógico -, diz-nos : “O que eu desejo, através deste ensinamento, é dar-vos noções sobre a vida, sobre vós próprios, como estais construídos, que relações tendes com todo o universo e quais as trocas que deveis fazer entre vós e o universo que é a Vida.”

O objetivo prioritário do Mestre é ajudar o ser humano a reencontrar a sua dimensão espiritual (que se chama a sua natureza superior ou divina), a aperfeiçoar-se, a reforçar-se, a abrir o seu coração ao mundo onde vive. Omraam Mikhaël Aïvanhov esclarece: “Esforcei-me, acima de tudo, em esclarecer um tema: as duas naturezas do ser humano, a sua natureza superior e a sua natureza inferior, porque isso é a chave que permite resolver todos os problemas.“

Mas o trabalho interior, individual, inscreve-se numa perspetiva mais larga e universal: permite adquirir a consciência de que todos nós somos cidadãos do cosmos, membros da grande família humana – a fraternidade universal -, filhos e filhas de um mesmo criador. Para além disso, o ensinamento do Mestre Omraam Mikhaël Aïvanhov convida-nos a participar na realização da Idade de Ouro sobre a Terra.» (transcrição da página oficial da Fraternidade Branca Universal – http://www.fbu-portugal.pt)

 

Nesta citação vejo todos os significadores astrológicos já descritos sobre o seu mapa. Estão todos aqui representados. No entanto, o FC e o Stellium em Aquário são, para mim, representativos desta Organização à qual deu vida.

Com Aquário no FC temos a proposta de enraizar o mais fundo de nós mesmos, a nossa matriz emocional, psíquica, num conceito muito Universal do que significa unir Ligação com Desapego, Pessoal com Impessoal, Família com Fraternidade. É trazer enraizado no meu mundo psíquico uma forte noção de Fraternidade, Irmandade, Igualdade, Liberdade, Inteligência Cósmica e como, através desta fonte de Água Limpa, dar de beber à minha Família Universal (Aquário – o Aguadeiro em casa de Caranguejo…). Isso, para mim, é o maior e mais profundo significado de Aquário (Ar, Saturno, Úrano) na Casa IV (Água, Caranguejo, Lua). É abraçar a Humanidade como minha Família e sentir-me em Família com a Humanidade. É trazer o mundo inteiro para comer à minha mesa, para, irmãmente partilhar daquilo que tenho para alimentar. É acolher sem olhar a quem, é conter sem prender. É Ar em casa de Água, uma linda e arrepiante relação entre o Ar mais frio e impessoal do Zodíaco com a Água mais Familiar, sensível e pessoal (no seu caso, ainda com Lua em Aquário na Casa IV – reforça o significado do FC). Sem esta compreensão/consciência, a Alma terá tendência a viver desapegada de si própria, e a personalidade à procura de fixar o seu cordão umbilical em pleno Ar… impossível de agarrar… sentindo-se sem raízes e sem… ninguém. Quando pode “ter” todos, sem no fundo ter que se tornar refém da sua carência e subjectividade.

Este foi um Mestre nascido homem que criou uma Família Universal – a Fraternidade Branca Universal. FC em Aquário disposto por Saturno na Casa III e Úrano em Sagitário, reforçando que o alimento a dar a essa família Universal, era Saber e Conhecimento (mais Mercúrio na Casa IV). A relação de Saturno com Mercúrio é muito forte – temos Capricórnio na Casa III, Saturno na Casa III em domicílio, Virgem na Casa XI e Mercúrio em Aquário. No seio desta família Universal eram partilhados conhecimentos com estrutura, dirigidos para o homem que se quer libertar (Úrano) e iniciar o Caminho do Discípulo (Saturno). A Idade do Ouro (Saturno, tão forte no seu mapa…). Ele recorria a um conhecimento antigo, tradicional, referia frequentemente os escritos bíblicos e o seu discurso era assertivo, disciplinador e duro quando necessário. Saturno rege o plano mental (Mercúrio), por isso, esta relação entre os 2 é fantástica no mapa deste Mestre nascido homem cuja vida foi dedicada a dar aos homens uma estrutura de conhecimento que os orienta no Caminho da Iniciação e da Libertação. Um verdadeiro Sábio, um verdadeiro Saturno. O seu posicionamento em domicílio é fundamental para a força e disciplina necessárias ao percurso que se propôs a percorrer na sua Vida. Em parte uma Vida solitária, de muita autodisciplina e aperfeiçoamento. A outra parte, é Aquário no FC (com o regente do MC também em Aquário), uma Vida rodeado de gente e para “a gente”. Um Mestre nascido homem, cuja vocação de Vida foi ser um foco de Luz para a Humanidade, um líder para o homem que está na descoberta do seu processo de Individuação, na sua descoberta de como se tornar uma Divindade (Leão no MC). Uma Humanidade dissociada do mundo invisível e perdida e limitada pelos equívocos do mundo visível (Saturno oposto da Neptuno).

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Meu Deus!!! Eu vou ter que terminar por aqui… Fica ainda tanto por dizer desta relíquia astrológica. Obviamente não falei de tudo… mas o que a minha Alma se propôs a escrever foi alcançado. E ela está satisfeita 🙂 . Que outras Almas mais possam acrescentar acerca desta relação com os astros e a Vida deste Mestre nascido homem… Sim, agradeço achegas, acrescentos, referências e comentários. Certo é que, analisar o seu mapa natal se reaprendem certos conceitos, se reacendem Verdades e intuem-se outras ainda adormecidas. É uma viagem enriquecedora poder contemplar os arquétipos na sua Vida.

Grata estou pelo facto da minha Vida se ter cruzado com a Sua. Não através da matéria porque nunca estive na sua presença física, mas através do seu património Espiritual.

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© Ana Paula Pestana, All Rights Reserved | ap_pestana@hotmail.com

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