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Posts Tagged ‘vénus retrógrada em carneiro’

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Desde o dia 4 de Março que Vénus iniciou o seu movimento retrógrado em Carneiro, e assim irá permanecer até ao dia 15 de Abril (nessa altura já em Peixes). Qualquer significador astrológico pode ser um desafio, tudo depende da perspectiva e do ângulo em que cada um se encontra. Mas a posição de Vénus em Carneiro é sem dúvida um desafio sob qualquer ângulo ou ponto de vista. No signo do seu exilio (e em movimento retrógrado), a motivação para a paz, harmonia, satisfação, obtenção de prazer, estabilidade, segurança, tem (quase que) obrigatoriamente que começar a partir da experiência do oposto (Vénus está o signo exactamente oposto ao da sua regência, Balança). É como se tivéssemos que começar pelo fim… passar pela guerra para querer a paz, passar pela agitação e tumulto para encontrar a tranquilidade… E durante esta fase (em Carneiro e em movimento retrógrado) tudo o que construímos de valor para nós e para as nossas relações, parecem viver momentos de verdadeiro retrocesso, como se estivéssemos a voltar atrás no tempo, aos padrões que habitualmente tínhamos ao nível pessoal e relacional, aqueles padrões que julgávamos já ter resolvido e ultrapassado, e somos forçados a começar pelo fim em que ficámos (é mais ou menos isto). O Amor assemelha-se mais a um campo de batalha, temos a sensação que as pontes que criámos estão a ruir, e apercebe-mo-nos quão frágeis ainda somos. Queremos o Amor e atrapalha-mo-nos por entre a irritação, a zanga, por entre a fúria que emerge a cada necessidade de afirmação individual, e torna-se difícil encontrar um ponto de equilíbrio entre as partes. Como se uma delas tivesse que quebrar, que ceder pela força. Reagimos impulsivamente ao prazer e à falta dele. Cada um de nós luta pela sua razão, e o que antes tinha a sua boa dose de paz e tranquilidade passa a ser uma acumulação de intolerâncias, irritabilidades que nos fazem agredir o outro como se estivéssemos numa guerra em defesa pelo que é nosso e para nós tem importância. De um momento para o outro a importância das nossas vontades sobrepõem-se à da relação e guerreamos por muito pouco.

No fundo aquilo que se torna importante reflectir recai sobre quanto de nós está verdadeiramente em relação com o outro. Vemos o nosso par como ele é na realidade ou procuramos nesse par apenas o reflexo da nossa auto-imagem (a mais bela, claro). Se for este o caso o outro ainda é visto como uma fonte de gratificação pessoal, de auto-validação, de reforço da nossa auto-estima e um catalisador para o exercício das nossas vontades pessoais. Como certamente estaremos a ter a oportunidade de experienciar, são estes exemplos de padrões relacionais e auto-imagem que deveremos Rever (entre muitos outros que sejam adequados à vossa realidade). Antes de reagirmos impulsivamente a qualquer avaliação negativa com excesso de afirmação pessoal, pode ajudar ter em mente que a irritabilidade e a intolerância para com o outro é senão uma irritabilidade e intolerância para connosco mesmos, uma forma de evitar olhar para o que em nós ainda não gostamos e nos repudia. Resta-nos ter a coragem de enfrentar esta luta individual e rever o que em nós precisa de ser reconstruído antes que a Ponte caia por força da estupidez…

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© Ana Paula Pestana, All Rights Reserved | ap_pestana@hotmail.com

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